No 10º episódio do Foco Acessível, celebramos uma trajetória com Jana Branco, designer estratégica e professora, que compartilha sua vivência na intersecção entre inovação, acessibilidade e transformação social. Conversamos sobre inclusão como mentalidade, desafios enfrentados por mulheres no setor de tecnologia e o papel do design ético em um futuro mais justo.
De Caruaru para o mundo, Jana nos inspira a repensar o design como potência para o coletivo. Uma conversa densa, provocadora e cheia de caminhos possíveis.
Junte-se a nós nesta conversa inspiradora e informativa sobre o futuro da tecnologia acessível! E não se esqueça de acessar os links e à transcrição desta conversa e nos seguir nas redes sociais: LinkedInInstagramTikTokBluesky E se você tiver alguma sugestão ou feedback, adoraríamos ouvir de você - participe e contribua para tornar o mundo um lugar mais acessível e inclusivo para todos.
Índice do episódio
- 00:00:07 - Introdução
- 00:00:19 - Autodescrição - Wagner
- 00:00:40 - Biografia do convidado
- 00:01:50 - Autodescrição - Jana
- 00:02:42 - Pergunta 1
- 00:06:27 - Pergunta 2
- 00:09:00 - Pergunta 3
- 00:12:08 - Pergunta 4
- 00:16:30 - Pergunta 5
- 00:19:20 - Pergunta 6
- 00:23:39 - Pergunta 7
- 00:24:05 - Pergunta 8
- 00:28:29 - Pergunta 9
- 00:31:28 - Pergunta 10
- 00:36:54 - Pergunta 11
- 00:39:07 - Pergunta 12
- 00:41:00 - Pergunta 13
- 00:43:30 - Pergunta 14
- 00:45:57 - Pergunta 15
- 00:48:33 - Pergunta 16
- 00:50:56 - Pergunta 17
- 00:53:11 - Pergunta 18
- 00:56:40 - Pergunta 19
- 01:00:40 - Pergunta 20
- 01:05:50 - Recomendações
- 01:08:50 - Formas de contado com Jana
- 01:09:33 - Mensagem final
- 01:11:14 - Enceramento
Links do programa
- Jana Branco: LinkedIn e Email
- Batom inteligente: maiores detalhes e case do case do Cesar
- Radio Jornal: Cartilha de acessibilidade é lançado em Caruaru
- Pajubá Tech
- Lattes: Marcela Figueiredo
- LinkedIn: Andréa Gomes
- LinkedIn: Ana Uriarte
- Platafora Quark
Wagner Beethoven: Olá pessoal! Seja muito bem vindos e bem vindos ao Foco Acessível! Um podcast onde a gente conversa sobre acesacessibilidade, design inclusivo, diversidade e inovação social. Eu sou Wagner Beethoven e sou um homem de pele branca que uso óculos de lente corretiva. Tenho barba grisalha e cabelo castanho curto e no episódio de hoje a gente traz aqui quase a fundadora do podcast, a pessoa que avaliou o meu trabalho de pós graduação e trouxe ajudou a trazer esse podcast ao mundo. Janaina Branco, ou como ela gosta de ser conhecida, Zona Branca. Ela é uma designer nascida e criada no Agreste Agreste de Pernambuco. Apaixonada por história e futuros possíveis, atua como gerente de Projeto e é professora no Sesi, aquela empresa aqui de Pernambuco, também com experiência em gestão de projetos, produtos e desenvolvimento de novos negócios, transita entre a academia e o mercado e ela é riquíssima pela pesquisa Economia de Inovação e Futuro, com passagem na Universidade de Arte em Londres e na Universidade de Bolonha, na Itália. Joana constrói pontes entre inovação, redes colaborativas e territórios, expandindo o universo das oportunidades através da inovação. Mas antes da gente começar da palavra, ela siga o foco acessível nas suas plataformas favoritas. Ative o sininho para não perder nenhum episódio e aproveito para avaliar as cinco estrelas nos Extremes. Se você curte nosso conteúdo e, claro, compartilhe esse episódio para quem também acredita que o designer pode transformar o mundo. É muito bem vinda, Janaína! Muito obrigado!
Jana Branco: Muito obrigada. Eu estou muito feliz de estar aqui. Como foi apresentada, Eu sou Jana Branco. Sou uma mulher branca, de. Cabelos. Ruivos. E. Estou usando óculos e lente corretiva. Com quem. Armação alaranjada e estou bem feliz. Só que hoje, de fato vi o podcast Nascer e Gente e tive o prazer de orientá lo nessa jornada da pós graduação. E. A gente, enfim, discutiu várias vezes sobre como ser informado podcast e qual seria o propósito dele. A gente foi e voltou e voltou, mas eu fico muito feliz que a gente está chegando nessa hora, nesse número comemorativo e espero que venham muitos. Outros episódios pela frente.
Wagner Beethoven: Maravilha! A gente já passou das apresentações, né? Eu provavelmente vou passar o episódio inteiro falando com sorriso na boca. Eu estou bastante feliz como jornalista completando dez, ele sonha em podcast e aí a gente começa a falar sobre a trajetória formação. E aí você tem uma formação muito focada em design estratégico. Você tem um doutorado na Itália que certamente marcou sua trajetória. Quais são as experiências que transformaram e moldaram sua visão sobre o papel do design no âmbito social?
Jana Branco: Eu sempre gosto de trazer um pouco da história do design, então a gente parte de um design que antes é muito pautado, centrado no artefato e a gente começar a entender que é ok, centrado no artefato, mas artefato feito para pessoas. E a gente começa a entender que as pessoas são o por que, o pra quê e o resultado. E ao meio disso, de como a gente desenvolve produtos e serviços. Então é muito para mim. É impossível tirar o social do design. Olhar para o design só enquanto um desenvolvedor de artefatos ou serviços. Para mim, o design e o designer profissional é um ótimo leitor de mundos. O leitor de pessoas, a gente e muito desse nosso papel. E aí essas minhas experiências de fato são muito transformadoras, porque eu pesquiso cenários futuros, então eu pesquiso futuros pela perspectiva do design estratégico. E aí o futuro, para mim, ele tem que ser acessível, ele tem que ser inclusivo, ele tem que olhar para o social. Ele é muito pautado nesse social. Eu faço o eu abraço essa ideia de que eu acho que a resposta para o futuro está no Sul global. Então fui fazer o quê Lá no Norte Global, na Itália? Eu fui lá pegar meu ouro de volta e que eu fui fazer isso. Foi lá entender. Como é que eles estavam fazendo para saber que a gente tem, que a gente não tem nada, Enfim, a gente tudo o que a gente tem é muito, é muito incrível do lado de cá, sabe? Então, para mim, foi transformador sair do meu lugar para entender o quanto o meu lugar é valioso para não entender, mas para validar. É isso e isso. Fala se muito sobre o nosso global, mas a gente, a gente está muito além. A gente tem respostas muito mais humanos para dar para esses problemas que acontecem no mundo. Então, para mim, é transformar mais informação. E essa eu sair do meu lugar, me desorganizar para me organizar, para entender que a resposta está aqui.
Wagner Beethoven: Recentemente eu falei a no evento aí no César sobre empregabilidade do César Skill e aí foi para falar sobre o papel do design, né? E aí eu costumo dizer que os profissionais, eles têm que aprender a ter carinho pelo trabalho deles, pelos projetos que eles fazem para menosprezar. E aí esse pensamento que tu traz, ele bate muito com essa fala de parar de achar que no norte as coisas são mais decentes do que a gente aqui, né? Afinal de contas, eles só são o que são porque puxaram de nós, né?
Jana Branco: É assim, afinal de contas, o mundo está na mão do norte global. O tempo, a vida inteira, a história inteira. E olha, a gente está sobre a crise climática a torto e a direita, a desigualdade social absurda. Então veja, eles fizeram o quê? Me diz por que e por que eles são bons se a gente está onde a gente está e estivemos e eles estão no poder, estiveram no poder. E aí a gente também precisava pensar não, O que é poder que quer a gente aqui no Sul Global tem pra trazer, Tem novidade. Então, assim, pra mim é muito transformador sair do meu lugar e entender que o meu lugar é incrível.
Wagner Beethoven: É muito interessante. É isso. E aí eu queria saber quando você fala de inclusão, quando é que a acesacessibilidade e a inclusão se tornaram pontos tão importantes no seu caminho como pesquisador e profissional?
Jana Branco: E ainda faz tempo.
Jana Branco: Eu ou formada em Design, tem formação de graduação, mestrado, tudo em design e quando estava na graduação de Design na UFPE do campus do Agreste, em Caruaru, quando eu estava lá, eu tive um professora muito querida, Marcela, que ela foi professora dessa acessibilidade na graduação. Então esse é um outro ponto. Eu acho que todas as graduações de formação básica de design, graduação, curso técnico, tecnólogo deveria por obrigação ter. ão é uma disciplina, mas tem um eixo de acesacessibilidade e inclusão. Vai aqui já um pedido e espero que o universo escute e opere nesse sentido. como eu estava na graduação, tive essa disciplina acesacessibilidade e eu fiquei apaixonada, porque nesse momento eu entendi que nós designers somos responsáveis por desenvolver. Esses. ecursos acessíveis na nossa e nas nossas mãos. Fazer isso. aí começou um projeto de pesquisa e extensão na universidade e eu fui bolsista desse projeto. Se chamava SAC, sistema acessível de Caruaru, onde a gente basicamente fazia uma pesquisa diagnóstica na cidade de Caruaru pra entender como é que estavam a cidade, tanto de senacessibilidade física como comunicacional. Se fazia esse diagnóstico e a gente criou uma cartilha de boas práticas. aí, gente, Veja, isso era o que 2000 e. 6 Talvez. Eu acho que era por ali, Então vai fazer dez anos, sabem? Então, assim, se hoje a gente fala acesacessibilidade e a gente tem podcast e vídeo, outros recursos, na época era tudo muito escasso. Acesacessibilidade significava rampa, cesacessibilidade significava ó rampa na realidade, porque inclusive, muitas das leis dessa civilidade que a gente tem hoje não tinham na época. aí, de lá pra cá, eu vejo faz dez anos mais do que deu alguns bons saltos e tivemos algumas vitórias nesse caminho. Poucas, mas algumas. ntão foi nessa, foi nessa ocasião eu fiquei muito apaixonada, eu comecei, depois, enfim, virei professora. E eu sempre, independente da disciplina que eu tivesse lecionando ou da palestra eu tivesse dado, eu trazia uestão acesacessibilidade pra mostrar pros designers que a gente é parte da cultura. ocê parte do problema. Ou seja, também somos parte da solução. Então gosto muito de trazer isso. Meus estudantes.
Wagner Beethoven: Oi, tá vendo? E aí, esse, esse ponto que você traz de lá até cá? Acho que 11 anos, 11 anos. 11 anos, dez anos, dez anos. Quase dez anos, né? Esse tempo você provavelmente encontra muitos desafios técnicos. E aí, pensando em desafios técnicos, impacto social, encontros humanos proporcionados pelo design, né? Qual o desses pontos que te motiva. Ver.
Jana Branco: Desafios técnicos? Foram encontrados diversos, Nada. E como eu comentei, a gente tinha poucos recursos como fonte de informação, como fonte. Não tinha muitos fóruns pra discussão sobre isso. Era. Era uma conversa muito nichado, sabe? Então, lá só pessoas com deficiência falavam sobre isso e inclusão significava isso não significava incluir todos pra designar, só focar em pessoa com deficiência, sabem? Então, desafios técnicos foram vários. Quando eu saí da universidade, fui trabalhar, fui pro mercado e eu entendia. Então tem uma. Uma pergunta. Que eu sempre me faço enquanto projetista e enquanto designer, pra quem eu não estou projetando quando eu estou desenvolvendo alguma coisa, pra algum. Grupo. Pergunta se muito aqui é meu público alvo, quem é a pessoa ou a pergunta base e eu sempre tenho o cuidado de perguntar Tá, mas quem eu tô deixando de contemplar o meu projeto? Então, pra mim é o que é. O que mais me motiva é essa pergunta que um dia me foi feita. Um dia um professor me fez essa pergunta, olhou pra um trabalho que tava fazendo, falou assim está projetando pra esse negócio aquilo que está deixando de fora o seu projeto, excluindo quem eu. Pudesse. De verdade a ele. Você quer ser uma designer que inclui o que eu escolhi? Aí eu peguei minha mãe, peguei meu banquinho e sai de fininho. Assim não foi pouco, desculpa. Até. E aí eu trouxe muito pra mim. Foi esse encontro com esse professor, essa fala que ele trouxe pra mim. Foi uma grande virada de chave na minha percepção. E o que tem me motivado a me parar para refletir? Pra que eu tô deixando de projetar? E aí eu tento, tento diminuir essas distâncias. Como é que eu consigo colocar recursos na minha solução que ela vai chegar em outras pessoas? Então, pra mim é bem importante isso. E aí tem um lance que é difícil, a gente. Botar todas as pessoas, todos os perfis. Mas aí o trabalho da gente tem fazer com que esse todo não seja tão específico, a gente consiga abarcar mais e mais pessoas, né? Que a gente não se contenta só com um pouquinho, né? Então, assim, a gente, a gente minimamente está projetando e aí sai. Deixa a preguiça um pouquinho de lado e passa de um minuto pensando pra quê eu não estou projetando? Já vou começar a pensar em recurso. Eu consigo abraçar mais pessoas se tiver abraçando mais uma pessoa, já é mais uma pessoa. Está fora desse meu grupo. Se eu abraçar mais dez, ótimo, mais 1000, ótimo. Então assim, eu sempre sabe quando a gente tem um processo de desenvolvimento dentro de uma parada? Desenvolvimento Uma das etapas é essa entender o impacto da minha solução e pra quem eu não tô projetando pra pensar em como diminuir essas distâncias.
Wagner Beethoven: É bacana que é da frase do teu professor que moldou como profissional uma frase tão curta. Foi tão profundo, né? E aí, como é que você vê o papel do designer? E o futuro ainda é marcado com tanta desigualdade estrutural? E aí nós, como nordestinos, você como mulher, encara esse papel?
Jana Branco: Foi o que eu comentei agora há pouco que nós, quando. Quando a gente começa a entender que o design não é só um fazedor de artefatos, é também o fato que a gente faz. Exemplo Por exemplo, se eu crio um carregador de celular, ele tem um ciclo de vida, ele vai morrer. Isso vai virar lixo, resíduo pra onde vai? Então eu preciso. Responsável desde o nascimento até o descarte de um produto de um artefato. Então eu design, eu estou criando novos produtos, estou criando novos resíduos, Ou seja, eu preciso entender que eu sou responsável também pela crise climática. Eu estou colocando mais lixo no mundo. Eu preciso também entender que eu sou parte do problema da desigualdade, que eu sou parte do problema da exclusão. Ou seja, eu entendo que se eu sou parte do problema, eu também preciso moralmente separar da solução. Então eu e esse papel do design que eu vejo pro futuro, a gente entende que se a gente é parte do problema, a gente também é parte da solução. Então, como é que é o projeto com mais ética? Como é um design com design responsável? Também é sempre perguntar porque estou projetando aqui isso E isso é do ponto de vista jurídico legal. É ok do ponto de vista moral, pra mim faz sentido as coisas do ponto de vista de impacto no mundo. Eu estou melhorando, piorando, está piorando o mundo para o projeto do faz bem. Estou aqui projetando o ambiente. Vai ser melhor, vai ser pior pro mundo, pior para não projeta. Tantas e tantas coisas péssimas teriam sido evitadas se alguém tivesse pensado estou melhorando, tá piorando. O mundo não está melhorando, o mundo continua só piorando. O mundo só para. Então é muito esse papel do design que eu vejo para o futuro. Se a gente é parte do problema, também parte da solução. E eu espero que a gente tenha uma doutorada inclusiva sobre isso e sobre a gente ter matrizes curriculares de design mais responsáveis para o futuro. Então, só para explicar muito rapidamente o que é que eu faço, eu entendo que os cursos de design, tanto de graduação quanto tecnólogo, os quanto técnicos, eles não atendem às demandas de futuro que a gente tem. A crise climática, a diversidade de perfis de pessoas não atendem. Eles são muito focados no fazer técnico ainda. E eu analiso o ecossistema de inovação, que eu acredito muito que eles são uma boa resposta para repensar esse futuro do ensino do design, para que a gente comece a propor novas sugestões e soluções para matriz curricular. Então eu quero disciplinas que falem mais sobre isso, sabe? Eu acho que é muito importante a gente. E poxa, ensinar a mexer no Adobe Illustrator é uma coisa do tipo o YouTube ensina, então não precisamos sair, procurar uma faculdade, sabe? A gente está aqui para outra coisa. A gente quanto diversidade e a gente quanto uma escola técnica, com profissionais, designers.
Wagner Beethoven: Respondi Vou responder. Clara se antecipou um comentário meu sobre as bases. Talvez se as pessoas não tivessem esse pensamento tão destrutivo e de construir uma ferramenta tão viciante que está destruindo famílias, fazendo as pessoas se matarem, talvez a gente pudesse nem envolvendo esses influenciar que não influenciam, como diz meu pai, né? Ninguém tem isso. Uma boa igreja. Não. Presta, seu mané! Não é.
Jana Branco: Desculpa essa. Vou comentar sobre isso. Eu Eu fico vendo um pouco da usabilidade dessas, desses joguinhos. Tá muito bem feita e muito bem feita também. Então jogou duas vezes e vicia no negócio. Meu Deus do céu, Cadê o talento? Desde o design usando pouca coisa que preste, Pelo amor de Deus! Então, a pergunta que não foi feita e eu estou melhorando, piorando o mundo. Né?
Wagner Beethoven: E aí a gente traz outro ponto, que é você fala muito sobre educação, criação curricular e como é que a gente consegue quebrar essa mentalidade e integrar acesacessibilidade desde o início, seja de projetos ou até de formação de profissionais. Com.
Jana Branco: Se a acesacessibilidade só é posta no projeto ou na formação no final ela não é uma mentalidade acessível. Ela é uma gambiarra. Então fiz o projeto todinho. Tá pronto. Agora vamos deixar criar algum feed acessível. É só a gambiarra,
Jana Branco: sabe Aí E os usuários da gente, independente de quem sejam, não merecem uma gambiarra, não merecem a gambiarra. Então a gente precisa entender que acesacessibilidade é sobre desenvolver recursos, ferramentas, processos, métodos assim.
Jana Branco: Mas é muito mais sobre desenvolver uma mentalidade de projeto inclusiva. Então é desde o momento zero do projeto. A gente tá todo mundo nessa mesma página, inebriado. O que a gente vai fazer? Vamos fazer Inclusivo, Independente da solução, qual vai ser? Tem que ser inclusiva, sabe? Então é esse meu pensamento tentar desde o momento um. E não é não ser tratada como recurso e ser tratada como mentalidade está no DNA do projeto.
Wagner Beethoven: A gente também pensa muito de quanto é a diversidade desse público que está se formando e é muito pouco, né? Por exemplo, eu quando eu fiz faculdade, eu não fui designer, me formei em sistemas e aí era um comentário anterior que eu queria fazer, que na minha formação existia o pessoal querendo aprender a usar Photoshop. É muito assim. Era quase um menino que o pessoal toda aula pedia, pedia. A professora disse olhe aqui não é uma escola técnica. Vocês podem aprender que a gente quer fazer profissionais que pensem, que consigam questionar as coisas e procurar propor coisas melhores, aprender Photoshop. Vocês vão aprender essa versão, possivelmente vai melhorar, vai mudar. E você, se você não se atualizarem, vai ser jogado fora. E aí, puxando esse gancho, eu me formei na faculdade, tenho 50 pessoas, só duas eram mulheres. E aí fico pensando será que dentro desse cenário de T.I. De designers você pensa essa diversidade é muito pouca e eu não tô nem falando de pessoas de pele preta, porque pra mim, no meu cenário das empresas que eu já trabalhei, que eu acho que já foram umas 12, eu conto nove dedos. Quantos líderes de pele preta eu tive e mulheres na gestão nunca tive a outro ponto. E aí, trazendo esse cenário assim, pelo menos para mim, esse podcast é um um sopro de tento trazer pra mim não mais um projeto pessoal do que para qualquer outra pessoa. Eu queria que tu compartilhasse um pouquinho de algum projeto em que a acesacessibilidade foi central, Gerou um impacto perfeito.
Jana Branco: Inclusive eu. Precisa de alguém sugestão para, em algum episódio, convidar alguém que trabalhou no projeto do Batom inteligente do Boticário? Porque eu acho esse projeto fantástico da forma como ele foi pensado, do começo até até a entrega final. Assim, muito, muito bom. Eu trabalhei em vários projetos de acesacessibilidade e que gerou impacto. Mas eu vou voltar para o início da carreira, onde eu comecei porque pra mim, que foi o que gerou mais impacto para mim também enquanto pesquisadora, enquanto designer, que foi o mais acessível de Caruaru. Quando a gente criou as cartilhas, ele fez as pesquisas e tal e tudo mais. E a gente criou as cartilhas e a gente distribuiu, fez algumas várias físicas ainda. Era uma. Era uma época onde o digital obviamente existia para aí que talvez não mais, era muito menos acessível, digital. Então a gente suprimiu as cartilhas e fomos distribuir em escritório de arquitetura, em agência de publicidade. E. De cara, isso até surgir publicidade, faculdades e escolas. Então é basicamente isso. E quando a gente distribuiu, foi distribuir isso. Eu lembro. A gente chegou uma vez num arquiteto no Museu de Arquitetura e a arquiteta ficou imensamente feliz, imensamente feliz, porque ela falou assim Eu sei que eu sou a profissional responsável por criar esses recursos acessíveis do ponto de vista da arquitetura, mas precisava ter algo pra me dizer. Isso. Ela sabia que o compromisso dela era esse, mas precisava que alguém tivesse lembrado. Veja, seu compromisso é esse, sabe? E aí isso foi logo no começo das distribuições das cartilhas e depois eu peguei essa fala dela. E eu sempre que porque eu ia entregar as cartilhas e explicar qual era o projeto, qual era o propósito e tudo mais, tirar dúvidas. E sempre que eu ia em agências ou em escritórios de arquitetura eu fazia questão de trazer isso. Ou eu sei que essa obrigação, enquanto profissional, porque eu trazia essa habilidade também, né? Tipo, você é o responsável por isso. Mas eu acho que é importante ter alguém aqui pra lembrar, alguém aqui pra traz essas diretrizes. E aí como parte dois do projeto teve um saque, o sistema teve dois que era pra gente rever, editar os projetos feitos por essas pessoas, por esses escritórios e agências, pra gente entender se houve ou não impacto. E houve principalmente em publicidade, que era onde eu basicamente achava que não ia ter tanto impacto, porque a gente sabe que na agência publicitária tudo correria, tudo pra ontem. As pessoas não estão nem aí, não é todo mundo. Não vou generalizar, mas é tudo correr e tudo corrido, tudo corrido. Então achava que não ia ter tanto impacto. Mas eu vi que até os os outdoors, back puffs, tudo que estavam fazendo tinha um pensamento de acesacessibilidade e ele teve aplicação da carta da cartilha. Então assim, estou trazendo um exemplo que a gente não trabalhou com pessoas com deficiência, não diretamente, mas a gente trabalhou com aquelas pessoas que estavam criando trabalho na base, com quem estava criando soluções para pessoas com deficiência, pra várias pessoas.
Wagner Beethoven: E aí o impacto desse incalculável.
Jana Branco: Incalculável estava mudando mentalidade, mentalidade de projeto, mentalidade de um monte de coisa, sabe? Então, foi muito interessante isso.
Wagner Beethoven: E aí esse profissional que sai de Caruaru, ele vai para outra cidade, ele carrega isso também, né?
Jana Branco: Exatamente. Exatamente. E quando ele fez a pesquisa inicial, a gente viu que quase ninguém usar os recursos e que depois começou o uso e começou a usar melhor o uso consciente. Então eu, publicitários fazendo uso consciente de algum recurso acesacessibilidade, Eu, arquiteto, estou fazendo uso consciente. Então assim, fantástico.
Wagner Beethoven: É estranho porque a arquitetura, a lei para acesacessibilidade é bem forte e a torna ainda desrespeito.
Jana Branco: Só que na época a lei já existia naturalmente, mas não tinha fiscalização. Hoje tem mais um pouco, mais tem. Na época não tinha. E aí a fiscalização e a lei fica muito com rampa e corrimão, não. Outras coisas sabem. Então foi isso.
Wagner Beethoven: E aí tem um lance também, né? Quer fazer? Tem que manter, né? Da manutenção dessas coisas, né? Quebrou uma rampa? Ninguém vai corrigir, né?
Jana Branco: Exato.
Wagner Beethoven: E na tua experiência, você consegue pensar? Consegue elencar possíveis soluções verdadeiramente eficazes, significativas quando o assunto é acesacessibilidade?
Jana Branco: Tipo como vai me interesse?
Wagner Beethoven: Por exemplo, se você pegar o contexto de de um produto digital, o que realmente pode ser eficaz e significativo está.
Jana Branco: Eu sempre ando por aí vendo os produtos e serviços e entendendo. E eu sempre fico perguntando que grupo de pessoas esse produto está excluindo? Então eu como como projetista e como designer, tenho muitas coisas dessa mentalidade em pensar aqui. Estou excluindo o meu projeto. Sabe por onde eu ando? Também pergunto quem projetou isso? Excluiu quem para poder entender, me colocar no lugar do outro? Porque eu acho que projetar nasce dessa relação, de tentar. Um. Mínimo de empatia, que haja empatia é coisa meio utópica. Mas assim, essa aproximação com a realidade do outro. E eu sempre digo que o artefato que foi criado, que ele respeita todas as regras de design universal que eu conheço, que só existe um com isso, que eu saiba que alguém criou esse meu Deus, eu queria ter inventado isso. Pronto. E a porta eletrônica? Eu comentei isso uma vez. Acho natural. É a porta. Aquela porta automática vai na porta automática de shopping center que ela abre, porque aquela porta ela respeita todas as premissas de design universal inclusivo. Por que ela vai abrir igual pra todo mundo? Não é assim. Se você é uma pessoa com nanismo, eu vou abrir na cor verde. Se você é uma pessoa alta, eu vou abrir na cor branca. Não, Ela vai abrir da mesma forma pra todo mundo, sem causar nenhum constrangimento. Então é o único artefato que eu conheço, um único que olha, fantástico. E eu acho bom ser uma porta automática que parece com esse modelo do seu. Eu achava que já trazer aqui um super app mega blaster master e não gente, é no Simples que mora o Rico. Era coisa que parece boba, trivial, que que mora a grande. Mas que coisa incrível, que coisa incrível!
Wagner Beethoven: Você deu dois exemplos pessoas com nanismo e pessoas altas e todas as pessoas em volta da característica.
Jana Branco: Exatamente. Se você é uma pessoa com deficiência temporária, por exemplo, também vai abrigo para todo mundo. Se você, enfim,
Jana Branco: não importa se está carregando um monte de chacota, carregando um carrinho de feira, não importa, vai abrir igual para todo mundo.
Wagner Beethoven: E espero que essa fala quando as pessoas estejam ouvindo, elas consigam transcender o digital. Eu pedi um exemplo digital. Você vê com esse exemplo do físico aí.
Jana Branco: Eu não tenho.
Wagner Beethoven: Eu perguntei até de fazer coisa e digitar. Mas aí se leva em consideração que os designers ou os projetistas, como você gosta de falar, consigam pensar além, né? E o impacto aí é muito maior.
Jana Branco: E no digital, veja os recursos acesacessibilidade que a gente tem utilizado no digital. São sempre os. Mesmos, sabem? A gente tem uma série de regras e normas que impregnam e trazem essa base pra gente. Mas todo mundo utiliza o mesmo recurso financeiro, não sei o nome. Enfim, desculpas tem muitas. As desculpas são dadas, são várias. E. Sempre que é utilizado algum recurso, acesacessibilidade no digital e com pouquíssima criatividade, sabe? Parece me parece coisa preguiçosa, amigável. Eu sou a pessoa do projetor, já que estava com preguiça porque só o faz usando tudo do mesmo jeito, então parece que não faz um esforço para Como é que eu posso usar esse recurso de uma outra forma?
Wagner Beethoven: O Google. Ele lançou recentemente uma teoria Design do três e aí ele traz muita cor. E aí a motivação do Google era pra você fazer um aplicativo mais divertido, porque tudo era muito monótono.
Jana Branco: Foi divertido pra quem também em Veja é isso, a diversão de um vai ser, vai ser, vai ser o trauma de outra pessoa. Eu tô usando um monte de cor, eu estou causando. E a gente hoje em dia a gente tem cada vez mais uma série de questões de divergência. E aí eu uso uma série de cores, cores diversas. Eu vou fazer o quê? Vou total. Eu estou trazendo gargalos pra diversos grupos de pessoas. Então assim, beleza, Eu não quero o mundo cinza, certo? Não estou pedindo o mundo cinza. Amo cores, por sinal. Mas como é que eu posso usar isso de forma mais criativa também?
Wagner Beethoven: Aí o desafio é difícil. É de fato um desafio, né? E aí. Trazendo essa visão estratégica, como é que o design estratégico pode fortalecer as práticas de diversidade? Inclusão dentro das empresas, né? Porque aí sim, é de fato estratégico.
Jana Branco: Maravilha o design estratégico. Eu acho que primeiro eu preciso dar um passo atrás, falar um pouco sobre isso e é um campo do design. A gente vai lidando muito estratégico, então a gente tem dentro disso, está abraçando o design de futuros. Então a gente vai começar a olhar para o futuro, desenhar cenários futuros, cenários possíveis, entender o que a organização, as pessoas querem enxergar e desenhar o caminho para chegar lá. Eu, eu, Janaína, eu e tantos outros pesquisadores a gente tem entendido que o futuro é diverso, o futuro é diverso, cada vez mais diverso. Por isso que eu estava comentando a gente sai de um GLS, então quem é antigo vai lembrar dos GTS. Quem é jovem vai lembrar do Gênese e a gente sai do GLS para o LGBT, que é apenas mais ver. Eram três letrinhas, então, letrinhas muito superficiais. Por agora a gente tem um monte de letrinhas e aí não mais. No final de tem muito mais ainda vai vir e vai nascer muito mais. Então essa evolução da sigla já mostra que o futuro é diverso e que secondary de letras vai aumentar, certo? Então eu trouxe aqui o exemplo de exemplo. Mas assim, a diversidade em aspectos amplos, né? Então, o futuro ele é, ele é de fato, ele será diverso e as coisas. Você vai precisar utilizar isso a favor, a favor delas, para que elas comecem tanto a projetar soluções quanto elas comecem a projetar soluções dentro de casa para dentro da organização Intra soluções que contemplem essa diversidade. Então, o design Estratégico, ele traz uma série de métodos e ferramentas que apoiam isso, como desenhar ações e soluções mais diversas. E é porque é da diversidade que nasce a inovação. E design Estratégico é a área onde mora a inovação, a inovação no mundo do design. Ela está dentro para encaixar a inovação. Tá no design gráfico, não tá dentro do design estratégico. Então, assim a inovação nasce. A diversidade e a inovação está dentro do plano estratégico. Então é isso. Eu acho que é esse o ponto que eu acho que vai trazer pra gente um série de métodos e ferramentas para nos apoiar nisso. Ao olhar pra essa diversidade e entender que ela vai ser a matéria prima para a gente resolver nossos problemas praticamente.
Wagner Beethoven: E aí você chega com esses dois pés na porta, no peito das empresas. Mas a gente sabe que tem muita resistência. Como é que se propõe abordagens inclusivas que são fora do padrão, né?
Jana Branco: Muito bom! Vamos lá. Eu trabalho num projeto e como tu comentou e começou a tocar. Atualmente atua atualmente e fica bom. Atua atualmente como gestora de projetos no César e eu trabalho num projeto que é um grande case de diversidade grande e mesmo assim muito. Tem quatro anos de projeto, já está no meu quarto ano. E. Esse ano, por exemplo, ter mais pessoas de pele preta do que pessoas brancas. Então veja no universo a tecnologia foi um marco. Eu fiquei muito feliz, muito com isso, mas fez um trabalho bem de formiguinha, de furar a bolha, certo? E aí eu vou. Acho que vou falar um pouco dessa resistência. Quando E aí eu falei esse projeto está fomentando essa diversidade pra fora. E dentro do projeto, o time que trabalha no projeto é um time diverso, na minha opinião. Se eu tô fazendo um projeto de diversidade e bem, eu e os participantes, os colaboradores daquele projeto, não, não contempla essa diversidade. É uma grande hipocrisia. Sabe ele vazado pra fora na parede? Em casa não. Então a gente montou um time diverso, fez um forte trabalho para isso, para esse recrutamento. E aí nós temos pessoas indígenas, pessoas trans, pessoas com deficiência de diferentes gerações. Então, assim, ver um time de oito pessoas, nove pessoas, e a gente tem uma gama enorme e perfis diversas, então esse é o primeiro ponto que é a gente fazer escolhas que contemplem a diversidade. Porém, eu tive muita dificuldade pra recrutar, muita dificuldade em abrir a vaga para dizer ah, eu quero, eu quero contratar a pessoa trans, abrir a vaga e não ter inscritos. E aí todo mundo começou Ah, mas é porque está vendo, Não tem com esse que a gente tem as pessoas trans. Elas existem e elas querem trabalhar. Tem sim. A gente que está na bolha e a gente vai precisar furar essa bolha. E aí eu comecei, falei, falei com um monte de pessoas, fui procurar algumas associações e disse assim eu preciso mostrar para todo mundo que as pessoas trans existem, que elas querem trabalhar, que elas são boas, que elas são muito boas. E aí fui falar de manhã com a Associação. Quando foi a tarde, eu tinha mais de 30 currículos na agenda, currículos e aí eu mostrei pra toda a organização tanto, tanto dentro do Sesi quanto para fora. Só a gente está vendo. Aí precisa começar a furar as bolhas, porque o nosso universo de tecnologia eu não estou falando do César, mas o universo de tecnologia, como tudo, ainda é um ambiente hostil. É um ambiente que não abraça, né? Então, eu queria mostrar que a gente está aqui para abraçar o que a gente quer abraçar e que a gente quer de fato ser essa porta, essa oportunidade. E aí foi ótimo contratar e foi maravilhoso. Montamos um squad interno também pra gente. Está pronto pra receber novos perfis, perfis mais diversos e isso foi muito legal. A gente viu que foi. E o amor é contagioso, né? Aquela história então começou com esse projeto e teve um outro projeto que foi me procurar. Joana Como vocês fizeram pra contratar? E eu fui falando e falando e a coisa foi se multiplicando.
Wagner Beethoven: E é interessante isso, porque existem vários projetos associados a T.I. De colocar pessoas LGBT. E aí existe um projeto chamado Pajubá aqui em Pernambuco que ele é especificamente para treinamento de travestis e transexuais. E esse projeto eu conheci quando eu participei de um hackathon como voluntário. Esse hackathon era para trazer pessoas. Wagner Moura Aquele conhece aqui em Pernambuco, embora um local que tem e muitas comunidades. E aí essas pessoas que estavam em vulnerabilidade social, elas foram lá, tiveram treinamento e aí a moça do pajubá, que eu espero um dia poder chamar ela para conversar aqui, Ela trouxe vários cenários assim e é gritante a cultura de pessoas que querem trabalhar só aqui, mas só falta um ter o esforço de levantar a bunda da cadeira e entrar em problemas. Se resolve. De. Fato.
Jana Branco:E é por isso que eu pergunto como lidar com essas resistências que às vezes nem é imposto pela empresa, eu sei, mas imposta por todo esse sistema que existe, eu sou muito. Eu sou muito fã da história de vir aqui as coisas, sabe? Então veio a vala. Estava aberta. Não há ninguém que escreveu o idealizou a beleza. Vamos agora então, se eu falo com outra pessoa, se não vamos atrás, vamos correr atrás, sabe? Então ninguém aqui vai fazer esses desvios nesses desvios de rota. E isso a gente tem que ter muita firmeza do que a gente quer e entender que é possível.
Wagner Beethoven: E aí não sei se você já respondeu, mas eu vou perguntar mesmo assim. E você já teve um momento em que essa diversidade dentro da equipe ela transformou completamente o resultado de um projeto que a gente tá falando? Você trouxe um impacto dentro da empresa, mas no projeto.
Jana Branco: Esse próprio projeto que eu, que eu trabalho, aconteceu isso. Porque a gente estava trabalhando, está trabalhando nesse projeto, onde a gente tem uma diversidade de perfis de estudantes muito grande, muito grande. Então essa diversidade fez com que os próprios colaboradores se juntassem para criar um manual para formar os professores não professores a receber turma onde tem pessoas de 18 anos e pessoas de 65 anos. Você vê turma onde tem pessoas de vulnerabilidade econômica altíssima. Você vê turma de pessoas, de pessoas trans. E como é que deve falar? Como é que enfim. Então, assim. E veja, isso não foi uma demanda minha, não foi? Eu como gerente falo assim gente, vamos fazer esse manual, as pessoas, o próprio projeto se juntar já. A gente precisa fazer isso e mudou completamente. Eu digo que aulas são não é um serviço, não é uma aula, é um serviço. E nós, enquanto designers, precisamos projetar serviços e a gente só consegue produzir serviço. A gente consegue ter todo uma jornada pra esse serviço. E como parte da jornada, tem essa formação dos formação dos formadores na formação dos professores, estar com esses estudantes. Isso fez toda a diferença. O NPS desse projeto é altíssimo porque tem esse momento de acolhimento, tem de todo mundo saber quem é que está chegando para assistir aula, qual é a história dessa pessoa. Como é que a gente pode acolher? Como a gente pode abraçar ao invés de ser mais um espaço de exclusão?
Wagner Beethoven: É bacana porque essa pessoa novata que chega um projeto na empresa e que ela é diferente dos demais colaboradores, se ela se sente mais segregada ainda, possivelmente ela não vai ficar na empresa e aí ou pode gerar algum problema maior. E aí, trazendo esse acolhimento, você fideliza o colaborador, o estudante fortifica a marca, né? E a pessoa tem um carinho pela empresa, pela instituição que acolheu ela. E aí a gente traz também o papel de design como um construtor de uma cultura mais representativa e plural. Queria saber quanto a opinião sobre esse papel do design pra essa cultura, mas acessível.
Jana Branco: Eu entendo que o designer geralmente dentro desenvolvimento de um produto serviço, ele vai ser aquela pessoa que vai olhar do começo ao fim. a gente coloca um tom de voz, o tom do projeto fica muito na mão do designer colocar o tom naquele projeto. Então se você perceber o projeto Caminho Estressante, assim vai cansativo é porque o designer que está liderando bota um tom pesado, se desacelerando, bota um tom mais amigável, um tom mais lúdico, pois geralmente é mais, mas mais amigável também. Se a gente coloca um tom de inclusão, o branco também vai ser mais, vai ter esse tom de inclusão. Então nós designers somos muito responsáveis pelo DNA que o projeto vai carregar, não só o DNA da solução, mas o DNA do processo de projeto, da gestão de desenvolvimento. Então fica muito a nossa responsabilidade. Sem contar que o design é o profissional que carrega praticamente a bandeira da criatividade, é a galera criativa, é a galera criativa. Então sejamos criativos, tanto pra propor recursos acessíveis dentro do nossos projetos, quanto pra de fato dizer assim Galera, não por aí não. Vamos. Para diferente. Então gente, nós vamos as pessoas que a gente tem a poética de fazer diferente, então a gente pode fazer diferente, Vamos abusar dessa nossa fama de ser diferente e realmente ser. É ótimo.
Wagner Beethoven: A gente tem a obrigação de ser diferente. Quando a gente fala de diversidade dentro de design, a gente traz inovação, né? Quando a gente se falou lá no começo e que você está estudando pra construir essa grade e diversa. Como tem sido abordada a inclusão e a acesacessibilidade dentro da academia? Você sente que os alunos mostram interesse? No meu caso, eu sou bem falada com o que eu estudo, isso há mais de 15 anos. Então
Wagner Beethoven: eu não sou um usuário alvo dessa pergunta. Mas aí, como é que você vê? Como é que você sente isso?
Jana Branco: Então, infelizmente, não, certo? Quando a gente vai falar ali, por exemplo, quando a acesacessibilidade é uma disciplina eletiva, que os estudantes podem escolher se quer inculcar ou não, ela é muito pouco acessada, infelizmente, certo? Por que passar o que é um negócio assim como criativo e não sei o quê, achando que acesacessibilidade não é criativo? É isso que eu digo. Eu queria tanto ter mais pessoas criativas no mundo, acesacessibilidade, posacessibilidade de usar os recursos acessíveis do mesmo jeito, tudo igual. Sempre. Sabe? Então, assim, os alunos estudantes, infelizmente não. Não ficam mais felizes. Porém, todo mundo, principalmente agora que a gente tem muito mais estudo, muito mais pesquisa, principalmente no universo da neuro divergência. Todo mundo. Tem. Um pai, uma. Mãe, um irmão. Um primo neuro divergente. Todo mundo tem uma pessoa muito querida que é uma pessoa com deficiência. E aí as pessoas, quando elas começam a entender que aquela disciplina, que aquele requisito pedagógico tem uma disciplina, um projeto, uma coisa tipo, podem ajudar muitas pessoas, elas ficam muito mais engajadas. Então é o que eu digo a gente precisa começar a mostrar para nós, estudantes, não só a posacessibilidade de cursar antes de começar a fazer um projeto, mas precisamos não só para os nossos estudantes também. O propósito por trás daquilo e como aquilo pode ser bom pra ele, inclusive. Que bom. E é. Você tem. Se você sabe que fecha o olhinho e pensa numa pessoa da sua família, no Divergente. Pensei agora em dois. Pensei então todo mundo agora imagina que você pensa que você agora pode ajudar essa pessoa. Pronto, conquistei ele, sabe? Então também a forma como a narrativa é feita pra conquistar esses estudantes, porque às vezes a isso jovens com 19 anos, 20 anos, estão querendo desenhar também, criar projetos que eles possam ser mega ousados e reconhecidos por isso, achando que a viacessibilidade não é um caminho pra isso.
Wagner Beethoven: E aí, além desse convencimento pela proximidade, existe algum método ou abordagem que você considera que é eficaz para ensinar design, inclusive acessível?
Jana Branco: Tem a boa e velha premissa do design centrado no usuário, certo? Eu acho que dentro do universo centrado no usuário, a gente tem uma série de abordagens. A gente tem o design thinking, argentino experiente, a gente tem o sócio, o design thinking. A gente tem mais uma coisa, só que aí é só a forma de fazer que é diferente. Mas tudo é sobre a mentalidade de design centrada no usuário. Se a gente começar a lembrar que o usuário não é aquele homem cis branco, já é muito bom. Como meu usuário termina com o masculino? Então, quando você precisa lembrar que o nosso usuário pode ser uma mulher, pode ser uma pessoa do interior ou ser uma pessoa ribeirinha, pode ser uma pessoa não alfabetizada. Então nosso usuário ali não necessariamente vai ser um homem branco, cis, alfabetizado, que trabalha, que tem, que ganha dez salários mínimos, não isso. Então, quando ele começar de fato a olhar para os usuários reais e parar de olhar para o usuário fictício, aí vai ser ótimo. Por isso que eu sou uma grande pessoa contra a persona. Que tentamos. Fazer aqui. Claro que possivelmente todo mundo tá ouvindo ou vai saber a partir de agora que eu sou uma pessoa declaradamente contra a construção de personas, porque eu acho que as personas são muito enviesadas.
Wagner Beethoven: Eu Eu conversei com o Vitor David. Ele falava que muitos profissionais hoje, que um personagem pelo ego querem satisfazer o ego delas e criam, por mais pesquisa que façam, sempre vai enviesar, né? Existe um ponto em que quando eu. Quando eu lancei o site Podcast em Foco acessível com.br, eu trabalhava na empresa que a direção era muito acima dos 70 e aí eu vou mandar um link pra eles. O coordenador designer fez um projeto, etc. Queria que vocês olhassem e aí automaticamente tem que pegar o link que entrou ai viu? Lá tem um podcast sobre acesacessibilidade, diversidade, inclusão na tecnologia aí. E o diretor disse assim Wagner, Mas o que é um podcast? Olha o vamos lá, né? Aí hoje, quando você entra no site, se ele passar o mouse lá vai ter um descrição que é um podcast, por mais óbvio que seja, tá? Então aí.
Jana Branco: É dito o óbvio tem que ser feito, tem que.
Wagner Beethoven: Ser exato. E aí a gente está falando também na forma. Estamos ainda falando da formação de profissionais. Você acha que eles estão sendo preparados para lidar com acesacessibilidade? Como se valor central mesmo, hein? Achando que eles vão, de certo que tem esse poder também, né? Hoje a pessoa quer ser designer, acha que vai fazer arte. E aí designer tem que pensar em negócio. Um projeto.
Jana Branco: E pra ser otimista verdadeira. Tem.
Wagner Beethoven: Acho que verdadeira, né?
Jana Branco: Veja. O ponto positivo é que essa geração de agora ela tem muito mais propósito, sabem? Então ela é muito mais motivada por propósito do que do que as anteriores. Era muito mais motivado pelo pagamento de boleto, certo? Eu sou uma geração de transição, então eu tenho o meu propósito, que também já pode ter meus valores enquanto designer e tem o meu objetivo, que é diferente do meu propósito, tá? Então, objetivo de carreira, objetivo de pagar boleto, enfim, a geração atual tem mais o objetivo de olhar mais de propósito. Só que às vezes parece que o propósito ainda é muito egoísta e o propósito daquela pessoa não é o propósito coletivo. Então eu tenho sentido que a coisa está menos coletiva, sabe? Menos aberto a pensar no outro, menos aberto, a pensar no entorno. Então, pelo ponto otimista, temos estudantes agora olhando muito mais para o propósito, pelo ponto menos otimista. Eles estão olhando para o próprio propósito deles e não para o propósito coletivo. Então, assim, de fato, eu não Não consigo opinar, não consigo opinar, porque eu não sei se eles estão preparados para lidar. Eu acho que eu vou dar um voto de confiança, tipo, galera, vamos pro mercado e aí a gente vê como é que vai funcionar também, mas eu vou botar fé nesse propósito deles.
Wagner Beethoven: Quando eu fui conversar com os estudantes, eu acho que foi super mês de maio lá no Cesa. O coordenador do curso disse assim Amigo, fale com o pessoal e eles tem que entender que aqui eles têm que ser profissionais e profissionais, eles têm que gerar valor para as empresas contratando e daí só geram valor se fizerem que os usuários usem o produto. Afinal de contas, fazendo é um produto que ninguém vai usar. Não faz muito sentido, né? Mas é muito complicado hoje em dia a gente pensar que o pessoal tá se isolam cada vez mais, né? Esse senso de comunidade está sumindo. E a gente está falando aqui da formação de profissionais, mas queria perguntar sobre inovação. Que tipo de inovação em design? Lembrando de maneira muito. Positiva Que tipo de inovação tem inspirado você ultimamente? Muito bom.
Jana Branco: Eu acho que o meu percurso enquanto designer está muito atrelado ao meu percurso enquanto ser humano, sabe? Então, eu tenho 11 anos que eu de terapia e meu relacionamento mais longo, faço terapia 11 anos. Então a terapia serve pra eu, Janaína, a pessoa, eu, Janaína, um profissional que não existe uma diferenciação. Eu não vivo a chave, mas me fez evoluir muito como como designer. E eu comecei a olhar o que pra mim? Janaína Na minha percepção, é uma inovação que gera valor. Sabe qual é a bandeira que eu quero carregar em relação a inovação? Quem tem as bandeiras na inovação tech? Inovação baseada em tequila Glow? Enfim. Então, pra mim, a inovação tem inspirado ultimamente e a inovação pela qual é criada qualquer coisa que é criado com mais de uma pessoa e que muda o comportamento de outras pessoas pra melhor é uma baita inovação. Então a inovação, qual criada sem a inovação feita por vai dentro da casa dele, sozinho não me inspira, não sabe? Mas é a inovação qual criada e que muda o comportamento pro bem. É muito algo que tem inspirado muito, muito mesmo. Então assim, eu sempre gosto dentro dessa. E quando eu estou pensando criar algo, a inovação ou criar um serviço ou produto, eu olhar o impacto que isso vai causar. Então, se impacto, se eu vou deixar, eu me pergunto o mundo vai ficar melhor depois de eu criar isso? Se sim, ótimo. Segue. Se não, não sigo, não sigo. Eu gosto das partes. Se alguém tivesse pensado nisso. Ou. Tivesse saído da zona de conforto da bolha egoísta e pensado nisso antes, não teria feito essa meleca que fizeram.
Wagner Beethoven: Complicado, né? E aí você Vou ter que fazer algumas perguntas associadas a gênero. Tem que ser um tema que talvez seja gatilho para algumas pessoas. Mas e que conselho você daria para quem está começando em design e hoje deseja gerar impacto social com propósito?
Jana Branco: Eu acho que pra quem está começando na carreira como um todo, não só como o design e quer, é porque assim a gente precisa entender que todo mundo tá boa, tem que gerar impacto, comprar posto, sabe? O caixa do banco que está lá atendendo tem que gerar impacto com propósito. O motorista do Uber tem que gerar impacto com propósito, forma como ele atende, a forma como ele acolhe, a forma como ele entende. Então, eu. Para quem está querendo gerar impacto e atuar com propósito, eu acho que a gente precisa ter muito, muito carinho na fala, muito carinho em como se e como colocar. Eu tenho 17 desafios quando tem colegas que são um pouco mais conservadores e a gente ser mais aberto para gerar impacto. Hoje a gente só quer gerar impacto para o bolso também. E eu não tenho uma fala muito didática. Então, o que eu peço a gente vamos ser mais didático, vamos ter o carinho de explicar para aquela pessoa, porque às vezes ela está vindo de um universo tão de negócios. Então, num universo tão ambicioso que ela não vai olhar para nada fora daquilo. Então, em vez de a gente ir lá e metralhar e cancelar, porque agora tá na moda, tipo cancelar por tudo. Para tentar ser mais didático também, bora tentar indicar o podcast e depois postar aqui. Vem cá que eu tô aqui para ouvir! Então, o conselho que eu dou para quem está começando é isso vambora ser carinhoso nas suas colocações. Vamos ser didáticos para que a gente consiga gerar impacto pela fala de carinho e fala de amor e a gente acaba sendo extremamente grosseiro ou algo do tipo, muito próximo de serviço, sabe? Infelizmente eu tenho visto muitas colegas, especialmente mulheres da luta feminista, muitas parceiras que eu sou. Eu, que eu sou apoiadora dos mesmos valores, mas que hoje eu tive uma abordagem um pouco que às vezes até um pouco mais. Violenta, né? Exato. Mas que acaba parecendo nisso um desserviço. Sabendo igual mulher faz isso, né? Então eu acredito que eu deixo, inclusive.
Wagner Beethoven: E aí, puxando esse mote de mulher, você sente que você consegue compartilhar com as suas principais desafios? Por ser mulher em um ambiente predominantemente masculino e dentro da tecnologia tão machista.
Jana Branco: Eu consigo. Se quiser uma lista top dez momentos hostis que eu vivi e que eu precise misóginas ver. Eu. Tenho. Eu tenho alguns agravantes. Eu sou a mulher, Eu sou mulher do interior, eu moro em Recife, eu moro Recife. A eu já vim morar aqui, já era um profissional da área, então quando eu vim eu era desacreditada por ser mulher, desacreditada por ser interior. Quem me perguntar já se lá tem energia elétrica?
Wagner Beethoven: O pessoal daqui perguntou. Assim.
Jana Branco: E olha que meu interior a Garanhuns eu digo a mim meu amor, Mas assim, a pergunta não foi por falta de informação, era por excesso de querer me constranger. E eu ainda tenho um outro agravante eu me considero uma pessoa carismática e eu acho que para mim o meu carisma não é uma vulnerabilidade, é uma virtude. Eu tenho muita clareza disso. E no ambiente profissional e tecnológico tem se uma história de que você tem que ser durona ou babona, ou grosseira para ser respeitada. Se eu tiver que deixar de ser quem eu sou para ser respeitada, eu não quero. É um lugar que não me cabe, um lugar que não me cabe. E aí eu fui em várias situações. Teve uma muito recente que uma pessoa falou sobre dividir no trabalho. Uma pessoa disse assim você, a pessoa tinha hierarquicamente dois níveis abaixo do meu. E assim você vai. Você tem competência para fazer isso? Veja então assim exemplo de coisa que eu escuto. Aí eu perguntei Mas por que está duvidando da minha competência? Porque eu sou mulher ou porque eu sou simpática? Ou porque. É assim hierarquicamente e. Eu estou acima do. Academicamente. Também. Eu entendendo o que é que está levando você acreditar nisso. Então, assim. A gente escuta uma série de coisas que são desagradáveis, algumas outras vezes criminosas, algumas outras vezes, e sempre diz respeitosa. Mas eu não abro mão de ser o que eu sou e de sustentar o valor que eu sustento, de ser Essa pessoa carismática também. Eu estava até falando um dia desses me cobrar qualquer postura sobre liderança feminina. E eles, minha gente, é tanta gente falando a liderança feminina que eu quero trazer cor diferente, quero falar dessa menina, mas eu quero trazer um viés diferente. E fiquei pensando assim o que é que me faz se uma líder diferente de outros colegas? Sabe qual é o meu? O meu grande trunfo. Assim. E aí eu falei de uma liderança feminina autêntica. E eu acho que é isso. Eu acho que quando a gente é mulher, está muito segura da nossa autenticidade, do que a gente é e do que a gente não abre mão. Pode vim, tratou e não vai derrubar.
Jana Branco: E nossa virtude e autenticidade vai ser nossa maior arma de luta, sabe?
Wagner Beethoven: Para isso existe um Tô falando. Várias vezes eu fiquei sem argumento assim que eu sei, fosse mulher, uma criatura dessa me falasse isso e assim um vai te lascar. No mínimo. Cabelinho ia falar pra criatura dessa.
Jana Branco: Coisa agora, quer dizer, agora eu tenho que canais de integridade, né?
E veja, eu queria estar lá pra ser usada. Não tenho.
Não tenho medo de usar, não tenho medo.
Wagner Beethoven: Exato. Existe um ponto também que mulher ela tem que se provar, mas depois você a ter. E aí, você já sentiu que assim você mostrou? Agora que você é, eu já sei que você é muito competente e tudo que você faz. Você falou Aí você está quase chegando o último grau da escala acadêmica que fala com pós doutorado. E pós.
Jana Branco: Doutorado nem é grau mais, viu. Estágio, mas não é. Não possui doutorado, são estágio depois de pós é uma reciclagem. Eu estou chegando. No último.
Wagner Beethoven: E aí profissionalmente você já está numa escala mais alta, né? Mas consegue sempre que precisar provar mais ao longo dessa jornada para dizer se eu sou boa o suficiente com você.
Jana Branco: O tempo todo, valeu o tempo todo até hoje, sabe? E é, Veja, eu, apesar de ter me forte e. De. Ele falar e de ter uma postura carismática, eu me sinto muito mal, muito mal. Eu me questiono todos os dias eu para trazer algumas vulnerabilidades, minhas viagens, eu choro, digo meu Deus, por que eu tenho que ser mais difícil? Socorro! E assim, às vezes eu já me questionei muito se eu deveria ter uma postura mais rígida, a postura rígida, ela nasce da postura masculina masculinizada. Então eu lembro que quando eu comecei na carreira, sempre que eu ia ter reuniões importantes, eu usava um blazer. E aí o. Blazer é uma forma de masculinizar os nós e nossas habilidades e dizer assim apesar de ser mulher, estou aqui vestindo uma artefato de moda que foi feito por lá atrás, projetada por homens em ocasiões onde ele precisava demonstrar respeito pra
Wagner Beethoven: Poder.
Jana Branco: Demonstrar poder invejável. Pra quem vocês estão? Pra quem não está me vendo e ninguém está me vendo? Na realidade eu estou me ouvindo. Eu sou a mulher. Eu estou usando roupa estampada, brincos de formas geométricas diferentes, bem assimétricos. Eu sou uma pessoa estampada, colorida e eu sou uma gestora. E eu já nos lugares, Fui palestrar em eventos nacionais e fiz coisas. Então tá todo mundo cinza e preto e eu dou a colorida porque eu preciso, eu preciso me, eu me e eu me afirmo com a minha fala, com a minha colocação. E antes eu precisava me afirmar, com a forma como eu me mostrava, como me apresentava e sempre me dizia assim. Eu sempre dizia assim. Quando eu ia falar eu sou Ah, mas eu sou mestre em não sei o quê, eu não sei o que é. Mestre em Design da Informação. Antes de dizer que eu sou, hoje me apresento assim. Sou uma designer nascida e criada no Agreste pernambucano, porque pra mim isso é na minha maior referência, também é minha referência. Então, assim, hoje eu me sinto muito mais segura de alguns anos de terapia. Me sinto muito mais segura pra sustentar quem eu sou, sabe? Sendo a mulher de interior e tudo aquilo que antes falavam pra mim que era fraqueza ser mulher, ser do interior, ser designer que é como é uma profissão artística e artística. Diziam que era menos importante do que outras pra mim. Hoje minha maior, minha maior certeza, sabe? A minha maior força é dizer sou do agreste, sou mulher, sou designer e ai o resto é feito mestrado, um doutorado, não sei o quê e só consegue conhecer quem eu realmente sou. Então assim, hoje me sinto mais segura e essa coisa de ficar provando é muito menor do que antes. Mas ainda hoje eu penso e aí eu vou assumir a postura durona e dar uma carteirada de uma carteirada, de ter um mestrado. Estou quase no doutorado ou eu vou dizer sou isso que eu sou e você vai descobrir conversando comigo também que é de novo. Eu tenho o carisma como minha virtude e aí eu uso e abuso.
Wagner Beethoven: E de fato é importante isso. E aí queria perguntar Vocês vão você? Eu sei que já sei a resposta, mas como é que você enxerga a contribuição das mulheres para. As construções de soluções mais inclusivas e humanas?
Jana Branco: Nossa Senhora Perfeito. Eu inclusive. Eu sempre falo quando alguma coisa não dá errado assim igual Meu Deus, quem fez foi homem. Falo brincando. Naturalmente que eu até gosto de homens e até alguns amigos que são meu pai também. E mais, eu não fazer a piadinha reversa, saber e digo assim é a minha vez. Agora lava a alma. Lava a alma. Veja com a gente. Eu ainda vou falar da experiência que eu vivi no passado, que eu vivi projetos que hoje eu trabalho com gestoras, mulheres. A qualidade do que é entregue é absurdo. Absurdo. E eu sinto que essa qualidade, essa régua, é muito mais alta, porque as mulheres são o tempo todo querendo se provar, provar pra si própria, pros outros que elas também conseguem, que elas são boas. Então é isso que é nossa, que é nossa fraqueza, de depois a gente tentar se provando o tempo todo também a nossa virtude. Porque a gente se esforça mais pra gente entregar muito mais qualidade. E aí que nós, quando nós mulheres estamos à frente de projetos, a gente tem um olhar mais sensível, a gente tem um olhar mais acolhedor, geralmente. Tá, não vou generalizar, mas boa parte das vezes tem um olhar sensível, um olhar acolhedor, porque a gente já viveu na pele isso você já viveu na pele. O que é se duvidar da sua competência porque você é mulher E se você for uma pessoa boa, você não vai querer que ninguém sofra disso. Uma mulher ruim você vai querer que sofram da mesma coisa que você. Tá bem? Então, assim, quem sofre na pele não quer replicar a crueldade. A gente quer evitar a crueldade. Então isso acaba criando um ambiente muito mais acolhedor, muito menos hostil e muito mais diverso e inclusivo, que abraça e abraça mais do que exclui.
Wagner Beethoven: Pesado negócio? Eu não sei. Eu não consigo nem entender o quão isso pode ser psicologicamente cansativo. Sabe? Porque uma vez eu escutei de uma pessoa preta dizendo Wagner, o pessoal criou esse esse termo Realeza Negra e Black Rio. E aí é para. Parece que pessoas pretas, quando elas atingem o social, elas nunca podem fracassar, porque sempre tem que estar se mantendo. Deve ser muito cansativo.
Jana Branco: Esse negócio que eu comentei esse episódio faz três semanas mais ou menos que falaram Você é capaz de fazer isso? Eu Na hora eu fiquei no misto de ódio, muita raiva e um momento risinho no canto de boca. Sei que sabem minha inação, mas eu cheguei em casa sim, fiquei transtornada. Assim eu preciso fazer o que mais me diz que eu preciso fazer? O que mais? E eu comecei a refletir Será que eu fiz o doutorado que eu quis? Eu que eu precisava provar para alguém que eu era boa também? Será que eu fiz? Será que eu fiz? E aí nenhuma doideira. O que isso que eu quis? Então você começa a se questionar se tudo o que você fez na sua vida é porque você realmente quis ou porque estava provando alguma coisa para alguém. Inês As perguntas. Eu me respondi que sim várias vezes. Eu fiz alguma coisa porque eu estava dando trabalho, coisa pra alguém e coisas que drenaram uma energia que todo o esforço que a gente faz tem a nossa energia para o bem e para o mal. Eu estava querendo quebrar, quem sabe? E aí o meu coleguinha homem ficou lá deitado na rede. Enquanto eu estou provando alguma coisa para alguém.
Wagner Beethoven: Existe um termo que a psicologia lançou. Eu não sei se é agora, mas é que eu conheci recente chamado A crise do Menino Perfeito ou da Criança perfeita, que é um LGBT que tem que ser o mais querido, mais inteligente, mais excelente, porque a família não aceita, sabe? Mas aí Joana pode falar.
Jana Branco: No comentário E aí? Agora eu estou. Sempre tive essa postura, até porque eu sou uma vez. Eu sou uma mulher criada no interior, numa família tradicional do interior. Sou a única mulher da da minha casa, então eu criei pra viver o conto de fadas projetado, sabe? E dentro desse conto de fadas eu já me desenhava na época do fim do ensino médio. Você vai fazer dez anos. É tão inteligente que não faz medicina. Ou Meu Deus! Então, a gente tinha um conto de fadas projetado pra mim e muitas vezes eu segui esse roteiro que eu tinha escrito e outras vezes eu não segui porque eu simplesmente não me adaptei ao roteiro e agora eu simplesmente não faço mais esse esforço de tentar seguir esse roteiro, sabe? Mas sim, é muito cansativo e hoje parece que eu estou na fase meio que da revolta de desenhar. Eu errei e agora eu quero falar eu errei, eu tenho, eu tenho uma capacidade de errar e ninguém vai apontar o dedo. Sabe aquela coisa que você sempre estava tentando acertar, que agora você cansou de acertar e você quer só mostrar que você também pode errar também? E isso também passa. Errar, minha gente.
Wagner Beethoven: E aí a gente tem essa bagagem, ela é feita muito o que você vive e quem está próximo de você. E aí, como você já falou algumas vezes positivamente e negativamente, mas eu queria perguntar, possivelmente você já fez que você pode compartilhar para os ouvintes.
Jana Branco: Muito bom. Eu tenho referências e evidente referências não são grandes nomes popularmente conhecidos. Sabem? Porque eu acho que a referência que está no dia a dia trazendo exemplos. Então eu tenho um exemplos de colegas que foram muito importantes para mim. Tem uma queridíssima aqui de Recife, Déa Gomes, que eu sou apaixonada por ela. Ela trabalha muito com design social e ela que me deu esse abrir de olhos pra esse, pra esse universo. Ela que sempre questionava Eu entrei no Sesi, ela trabalhava lá, eu entrei muito novinha, eu também não. Tinha só. 28 anos. Não é bobinha? Eu era. E ela que dizia assim Joana, você consegue ver propósito nisso? E isso me motivava, sabe, desse meu Deus? Eu precisava proporcionar isso a Jana. Você está vendo que está gerando impacto na vida das pessoas. Então, assim, ela é uma pessoa que me influencia muito até hoje. Então amiga, e ela é muito querida. Então depois procurei ela no LinkedIn da Gomes, ela é ótima. É uma outra pessoa, também recifense, que para mim é uma grande fonte de inspiração. Ana Áurea Arte. Ela é uma empreendedora. Teve startup aqui de Recife. A quarta, inclusive. Ela desenvolve habilidades socioemocionais em estudantes de ensino médio e ensino técnico. Então, assim, para mim, ela é uma grande exemplo de de resiliência, porque empreendedor podem ter muito resiliência e resiliência e de propósito de levar propósito de ter um trabalho escalável, sabem? Então, eu tenho muito. É claro que mulheres que da minha vida como um todo. Os. Professores que me acompanharam, essa Marcela que eu falei que lá lá atrás me apresentou acesacessibilidade no design, que eu fiquei apaixonada. Então eu tenho uma bagagem de mulheres que me trouxeram até aqui. Mães. Avós, pessoas que vieram antes pra que eu pudesse agora estar nessa. Está trilhando com muito menos aperreio. As pessoas apreciaram muito mais antes, sabem? Outras mulheres apanharam muito mais. Antes, sofreram muito antes. Para que hoje eu possa estar trabalhando. Eu posso estar falando estou aqui eu num podcast. Quando é que a mulher poderia estar num podcast se essas outras não tivessem vindo, sabem? Então, assim, tenho muitas dessas referências e do dia a dia, muitas colega, muitos pares meus que são pessoas que me incentivam e me estimulam a não desistir por isso, a não desistir, não perder meu primeiro.
Wagner Beethoven: E aí a gente, todos os vídeos que todas as pessoas que já falou vou colocar na descrição e a pessoa pode ir atrás e entender um pouquinho, né? Porque essas pessoas que ela compartilha são tão admirável. Aí eu queria também saber como é que as pessoas podem entrar em contato com você. É muito prazer ter redes sociais, então aí é a hora do jabá perfeito.
Jana Branco: Gente, vai no LinkedIn, eu demoro pra responder, né? Wagner Ele mesmo sabe que demora. Demorou muito, demora um pouquinho, mas assim em uma semana eu respondo E se for o me manda e-mail. Gente, eu amo e-mail, amo o email jcb arroba 6,5 me manda e-mail. Eu amo de paixão quando sua mãe meio dessas exclui o email também. O outro, o meu, o pessoal. Preciso me procurar, mas o LinkedIn não tá aí. Eu gosto bastante dele, respondo. Juro que eu respondo. Eu respondo.
Wagner Beethoven: E aí a gente chega e, infelizmente, eu não posso passar muitas horas. Já passou o dia falando aí e a gente chega no final. Mas eu queria saber se você tem alguma mensagem para falar para nossa audiência ou falar alguma coisa que não foi perguntado.
Jana Branco: Mas na vida eu peço que vocês sempre se perguntem também. É essa pergunta que eu quero deixar aqui. Vocês façam sempre o que eu estou fazendo, tá transformando o mundo num lugar melhor, um lugar pior. E se for num lugar pior para me fazer bem, não diz. Continue usando, mas se eu não fizer um outro eu fazer, deixa. Não carrega, não carrega essa culpa. Não queria ver se o outro tá também ouvi nesse podcast. Ele também não vai aceitar, sabe? Não? Aí a gente começa a espalhar essa palavra por aí. E a gente que consegue de fato transformar o mundo nesse lugar muito mais consciente da inclusão que a inclusão, não pode ser apenas uma obrigação, uma lei. Claro que é importante que seja uma obrigação, uma lei, mas tem que também ter consciência. Essa consciência da inclusão e expanacessibilidade. Então parabéns para a alma. Parabéns pelo décimo episódio, Tô muito feliz com maravilha! Eu fiquei muito feliz porque a princípio a gente pensava, pensava depois vai ser o trabalho de TCC, depois em beleza. E quando eu vi, continuou do caramba, muito bom, Gostei. Então parabéns, vai além. Eu sei que a gente tem uma vida acontecendo e esses projetos paralelos que a gente abraça de fato fazem parte do nosso propósito. E saiba que esse é o projeto, ele está contribuindo para um mundo melhor, Então continue fazendo.
Wagner Beethoven: Muito obrigada! Eu queria muito agradecer pela sua generosidade, pela escuta e pelo apoio, potencialidade e resposta. Final de contas. Décimo episódio que deixa uma outra pessoa, a nossa pessoa, que me inspirou tanto a fazer isso. E aí, pessoal, Se você ficou até aqui, não se esqueça de seguir o podcast Redes Sociais. É importante essa avaliação também, compartilhar nas redes e acompanhar a jornada também nas redes sociais. Os links vão estar na descrição até o próximo episódio. Foco acessível onde a gente tá tecendo inclusão, principalmente com propósito. Uma conversa de cada vez. Acesacessibilidade cedo ou tarde vai impactar a sua vida.

