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Foco Acessível Do lado esquerdo, dois círculos — um maior (tracejado, sem preenchimento) e um menor (preenchido). Ao lado, o texto “Foco Acessível”, apresentado na cor verde escuro.
Episódio #6 / 49:31
Mulher sorrindo, vestie blusa vermelha com mangas curtas. Tem pele clara, cabelos escuros e ondulados, que caem logo abaixo dos ombros, a iluminação suave e natural. Ao fundo, há uma parede cinza clara com um quadro emoldurado pendurado, e parte de uma planta verde pode ser vista no canto esquerdo da imagem.

Inclusão Digital: além das barreiras, construindo novas pontes

Janaína Bernardino • Especialista em Design Inclusivo

O impacto do design inclusivo e como ele transforma a acessibilidade digital e física e os sobre desafios, inovações e a importância de considerar todas as pessoas na criação de produtos e experiências.

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Neste episódio do Foco Acessível, recebemos Janaína Bernardino, especialista em design inclusivo, professora de acessibilidade e eleita Profissional do Ano em Acessibilidade. Janaína compartilha sua inspiradora trajetória, desde os desafios no mercado até a perda da visão, e discute como o design inclusivo pode transformar experiências digitais e físicas para todas as pessoas. Uma conversa sobre inovação, inclusão e os desafios de tornar o mundo mais acessível para todos.

Junte-se a nós nesta conversa inspiradora e informativa sobre o futuro da tecnologia acessível! E não se esqueça de acessar os links e à transcrição desta conversa e nos seguir nas redes sociais: LinkedInInstagramTikTokBluesky E se você tiver alguma sugestão ou feedback, adoraríamos ouvir de você - participe e contribua para tornar o mundo um lugar mais acessível e inclusivo para todos.

Índice do episódio

Clique nos links abaixo para ir para uma parte específica do arquivo de áudio:

  • 00:00:00 - Introdução e boas-vindas
  • 00:00:30 - Autodescrição – Wagner Beethoven
  • 00:00:50 - Avisos: site e plataformas do Foco Acessível
  • 00:01:20 - Apresentação e biografia da convidada
  • 00:01:55 - Autodescrição – Janaína Bernardino
  • 00:02:34 - Pergunta 1
  • 00:07:09 - Pergunta 2
  • 00:10:17 - Pergunta 3
  • 00:10:37 - Avisos e chamada para redes sociais
  • 00:11:06 - Pergunta 4
  • 00:14:57 - Pergunta 5
  • 00:22:06 - Avisos: plataformas, avaliações e inscrições
  • 00:22:30 - Pergunta 6
  • 00:26:44 - Pergunta 7
  • 00:29:12 - Pergunta 8
  • 00:31:03 - Pergunta 9
  • 00:32:57 - Pergunta 10
  • 00:35:45 - Pergunta 11
  • 00:38:19 - Pergunta 12
  • 00:41:22 - Pergunta 13
  • 00:43:56 - Pergunta 14
  • 00:45:41 - Pergunta 15
  • 00:46:59 - Pergunta 16
  • 00:48:05 - Pergunta 17
  • 00:48:47 - Encerramento e agradecimentos
  • 00:49:19 - Mensagem final do podcast

Biografia do especialista

Janaina especialista em design inclusivo no Grupo Boticário, professora de acessibilidade no MBA na FIAP no curso de design estratégico. Em 2023 foi jurada nos prêmios Brasileiro de Design e Design for a Better World e eleita profissional do ano de acessibilidade no Link 2023. É integrante do Comitê da ABNT de acessibilidade digital, criadora do indicador de design inclusivo, é palestrante, mãe do Miguel e esposa do Flávio. Além de ser premiada pelo IF Design Awards (representando o Itaú na Alemanha, em 2018). Atualmente ensina e compartilha sua vivência e os caminhos para uma sociedade acessível e inclusiva.

Edição do episódio: Booa, Paulo! Design & Multimídia

Wagner Beethoven: Olá, pessoal, tudo bem com vocês? Boas-vindas a todas as pessoas que estão aqui nos ouvindo. Estamos começando mais um episódio do Foco Acessível. Para quem é uma pessoa nova aqui, o Foco Acessível é um podcast sobre acessibilidade, inclusão e diversidade na tecnologia. Nossa convidada de hoje é especialista em design em acessibilidade e inclusão e irá compartilhar suas experiências conosco. Eu sou Wagner Beethoven, estou no comando do Foco Acessível. Sou um homem de pele branca, cabelos castanhos e barba preta, cheia de fios grisalhos. Uso óculos de armação preta, fones e camisa amarela com estampa de cachorro. Ao fundo, está um armário com portas de correr brancas. Antes de iniciar a nossa conversa, queria que você soubesse que nosso conteúdo está concentrado no site focoacessivel.com.br. Estamos em todas as redes sociais, no YouTube, no Spotify, em vídeo e em áudio, em diversas outras plataformas de streaming. Passada a fase do jabá, a gente vai apresentar a nossa convidada de hoje. Ji é especialista em design inclusivo pelo Grupo Boticário, professora de acessibilidade no MBA da FIAP, no curso de Design Estratégico. Em 2023, foi jurada do Prêmio Brasileiro de Design e do prêmio Design for a Better World e eleita Profissional do Ano em Acessibilidade no LinkedIn. É integrante do Comitê da ABNT de Acessibilidade Digital, criadora do Indicador de Design Inclusivo, palestrante, mãe do Miguel e esposa do Flávio. Além disso tudo, foi premiada pelo iF Design Award, representando o Itaú na Alemanha em 2018, e atualmente ensina e compartilha sua vivência e caminhos para uma sociedade acessível e inclusiva. E agora, Ji, a palavra é tua.

Janaina Bernardino: Muito obrigada, Wagner. Obrigada pelo convite. Muito bom fazer essa troca. Somando a tudo isso, eu sou uma pessoa também com deficiência visual, sou cega, perdi a visão há quatro anos. Vou fazer minha audiodescrição também. Sou uma mulher branca, com os cabelos castanhos abaixo dos ombros. Estou com uma camisa branca, olhos castanhos, acessórios prateados e um batom leve. Meu sinal em Libras é passando dois dedos da franja da esquerda para a direita e apontando para uma pintinha do lado direito da boca que eu tenho. E vamos conversar. Obrigada pelo convite.

Wagner Beethoven: Maravilha. Eu não tenho, infelizmente eu não tenho contato com pessoas que falam Libras, então não tenho sinal, mas aí a ideia é que a gente traga pessoas para aumentar essa rede de conexões, né? Para iniciar, Janaína, eu queria falar primeiro dessa parte profissional. Eu queria que você contasse um pouquinho sobre sua trajetória profissional, como você entrou na área de design inclusivo e o que motivou a focar em acessibilidade.

Janaina Bernardino: Sim. A minha formação é em design de produto, é a minha formação da graduação. Nessa época, eu já estava trabalhando com gráfica, era professora de artes gráficas. Eu pensava: vou saber de produto, vou saber de impresso. Mal sabia que mais à frente viria o digital. Então acabei pegando ali as três principais disciplinas, depois fui estudar service design também. Em 2009, 2010, eu fiz uma pós-graduação na USP chamada Design e Humanidades e ali virou uma chavinha muito forte na minha cabeça. Meu primeiro emprego já foi na área social. Eu era professora da Fundação Bradesco, então meu público era de baixa renda. Eu já via que aquilo que a gente às vezes aprendia na faculdade, na prática, era outra vivência. Depois, com esse curso da USP, foi bem forte para mim, porque na primeira aula o professor falou: “Olha, não tem computador nesse curso”. Todo mundo ficou: “Como assim, não vai ter computador?”. Aí a gente voltou para a raiz, para entender um pouquinho mais sobre antropologia, filosofia, pessoas, como elas se comportam. Nesse meio tempo, eu estava trabalhando no terceiro setor. Voltei, fui trabalhar em agência, voltei para o terceiro setor, estava trabalhando no Instituto Sou da Paz. O meu usuário final, de tudo que eu fazia, era uma pessoa da periferia de São Paulo, Grajaú, Brasilândia, Jardim Ângela. E o que eles queriam? Quando eu chegava com comunicação, branding, tudo chique, eles falavam: “Eu queria minha foto, queria me ver”. Eles só queriam o anúncio do curso de futebol para jovens com a foto das crianças. E aí você fala: uau. A gente tentando fazer a logomarca perfeita e eles queriam essa identidade. Isso tudo conectou com a pós que eu fiz na USP, de olhar para pessoas. Logo depois, eu fui trabalhar no Itaú. No Itaú, um banco, eu pensei: “Nossa, do terceiro setor para um bancão”. E ali fui entendendo que as pessoas também queriam se ver, entender a linguagem financeira, entender como mexer num caixa eletrônico, como mexer num celular. No primeiro projeto de caixa eletrônico que participei, a gente foi testar em vários lugares: no sol, na sombra, lugares onde normalmente o caixa eletrônico está. Quando aplicamos a interface que tínhamos criado, as cores ficaram bem ruins. Eu pensei: “Caramba, e agora?”. Foi aí que comecei a pesquisar, lá por volta de 2013, 2014, sobre contraste de cor, luminosidade de tela, cromia, RGB, camadas das telas. Fui entrando nesse universo e descobri que tinha uma regra, que tinha WCAG. Foi a partir dali. Mas a grande virada, para mim, foi em 2018. Depois que eu tive meu filho, minha família completinha, eu saí para um desafio: fui gerenciar um time de acessibilidade numa consultoria, contratando pessoas com deficiência. E foi nesse meio tempo, pumba, que eu mesma perdi a visão. Aí não tinha mais volta. Como é que eu ia ensinar, trabalhar, falar para pessoas de algo que eu precisaria na prática? Eu virei a usuária. A acessibilidade entrou no meu dia a dia com mais força. Eu fui estudar, falei: “Não, eu quero entender um pouco mais”. Foi aí que encontrei o design inclusivo, que não é só para pessoas com deficiência, é para todos os tipos de pessoas. A gente estende essa carreira para o que temos agora, que não é só sobre um grupo de pessoas. Pessoas pretas, pessoas indígenas, pessoas de outros países. O que é inclusão para elas? E aí fui estudando sobre isso. Mas foi aí que começou.

Wagner Beethoven: É muito bom a gente saber que a realidade é um grande choque, né, para os estudantes. Por exemplo, você entra num curso de informática ou num curso de computação pensando que vai pegar um computador, e aí o professor diz: “ó, não é assim não”. Você termina e vê que o que aprendeu não é nem do universo de possibilidades, principalmente quando a gente está falando de carreira acadêmica, que é só uma pitadinha do mundo real, né? Olhando sua carreira do começo até agora, você consegue imaginar quais foram os principais desafios que enfrentou no começo e como conseguiu superá-los? E hoje você ainda enfrenta os mesmos desafios, só que de maneira diferente?

Janaina Bernardino: Eu costumo falar que uma boa designer pergunta sempre ao usuário, e é o que a gente menos faz. Quando eu perdi a visão, o que menos me perguntavam era: “Jana, e agora, como é que a gente trabalha sem você enxergar?”. A gente não pergunta para o usuário. Faz a persona, cria ali um padrão e vamos embora. Eu falo que quando falha a acessibilidade digital, não é tão grave, porque a acessibilidade humana ocupa esse lugar de acolhimento. Você não consegue pegar o papelzinho no totem de espera do hospital, alguém vem e te ajuda. Mas quando nem a figura humana consegue ter acessibilidade, aí você fala: “opa, a coisa é mais grave”. De várias barreiras, as que mais me doem até hoje são as atitudinais. As digitais a gente faz gambiarra, pede para alguém, já se acostuma a enfrentar barreira. Claro que é angustiante, porque você perde autonomia. Eu só queria comprar uma comida no aplicativo, só queria comprar uma coisa ali. Mas quando é atitudinal, eu acho ainda mais desafiador do que a experiência não acessível. A gente fala de não levar um cadeirante para um lugar e não ter rampa. Ele nem entra. Esse é o nosso cenário muitas vezes. A gente nem entra, porque já tem uma placa em nós dizendo: “não vai conseguir”. Você já cai no filtro do tipo: “ah, para ele não”. Para ser público consumidor, a gente deixa para o backlog. Eles nem consomem tanto assim. Já começa daí. Como eu publiquei no LinkedIn essa semana, sobre as Paralimpíadas, a gente vê que um evento é super glamouroso e o outro é bem menos. Você vê que tem um corte ali dizendo: “esse público a gente prioriza depois”. Esse é o desafio atual: emplacar iniciativas de inclusão e acessibilidade junto com a estratégia de marketing, junto com o lançamento do produto, e não depois, fazendo correções e gambiarras.

Wagner Beethoven: Eu só queria pedir licença, Janaína, para dizer para a audiência que a conversa é nesse nível, tá, minha gente? Esse negócio é muito potente aqui. E pedir para todas as pessoas seguirem o podcast em todas as redes sociais. Infelizmente, projetos como esse precisam de mais pessoas para que a gente não precise estar conversando que um local não tem rampa ou que, quando tem rampa, ela é mal feita. Quanto mais informação, melhor. Perpetuando a palavra, a gente consegue alcançar e conscientizar mais pessoas. Passada a fase do recado das redes sociais, eu queria saber mais sobre tua atuação no mercado, Ji. Você pode falar sobre algum projeto específico que teve grande impacto associado a design inclusivo e acessibilidade, que você lembra com carinho?

Janaina Bernardino: Sim, lembro. De várias coisas que a gente vai incubando, porque são projetos que levam mais tempo de produção. Um que levo com carinho foi numa empresa de diagnóstico hospitalar. Eu trabalhava com uma dupla, um designer surdo. Todas as reuniões tinham intérprete de Libras. A gente trabalhou super bem. Fizemos um grande diagnóstico, contratamos uma consultoria e fomos, no meio da pandemia, para dentro de laboratórios e hospitais. Fomos vivenciar o que pessoas com deficiência sentiam como barreiras. Coisas que não estão na lei, não estão na norma, não estão na WCAG, não estão na NBR 9050. Estão na vida das pessoas. Selecionamos pessoas com deficiências diferentes: cadeirantes, surdos, cegos, pessoas com questões cognitivas. Fizemos uma jornada da experiência delas. Foi muito rico ver, por exemplo, que o cadeirante passava com a cadeira, mas o pedal do lixo ficava embaixo. A gente falava: “ixe, como é que ele usa o lixo?”. Vamos anotar. Vimos que todos os dispensers de álcool gel estavam numa altura em que uma pessoa com nanismo, uma criança ou um cadeirante não conseguiam usar. São coisas que a observação humana ainda vence. Quando a gente fala que a inteligência artificial vai fazer milhões de coisas, ainda tem coisa que só um ser humano vai ter que ir lá ver, anotar, entrevistar e fazer jornada do usuário. Eu levo essa experiência com muito carinho. Dela surgiram várias iniciativas. Uma delas foi criar uma central de atendimento em Libras, via tablet, para que pacientes surdos fizessem atendimento por videochamada. Esse foi um piloto. Outra iniciativa foi no aplicativo de diagnóstico. Tinha a opção de telemedicina, então precisava de um beep sonoro para que eu, pessoa cega, soubesse que estava próxima da fila e pudesse ficar mais perto do telefone, já que a espera podia ser longa, ainda mais na pandemia. E, claro, outras iniciativas: melhorar o próprio design, acessibilidade de aplicativos, gráficos, e várias coisas que fomos listando na jornada. Isso me abriu um leque para sair do quadradinho da tela. Às vezes você cria um aplicativo incrível, acessível, mas ele vai parar num totem touch screen. Aí você perde a experiência. Ou você cria um aplicativo acessível para comprar um produto, mas a central de atendimento não funciona. A jornada é barrada. Ou a compra é confirmada e você recebe um e-mail que não é acessível. E aí você diz que criou um produto acessível, mas só um pedaço dele. O que eu tenho insistido bastante ultimamente é: como está a jornada desse produto? Ela está inclusiva ou a gente está resolvendo só um pedacinho da tela, dando check na WCAG? É muito mais sobre a experiência das pessoas. O impacto de um trabalho desses, principalmente na pandemia, quando todo mundo estava com medo, foi muito grande.

Wagner Beethoven: Mesmo você sendo uma pessoa com deficiência, você vê o que as outras pessoas estão passando, principalmente dentro de um hospital. Baita coragem sair para um hospital assim. Foi bem legal. Ainda falando sobre suas conquistas, você foi jurada do Prêmio Brasileiro de Design e do Design for a Better World. Como você acha que esses prêmios são importantes para a acessibilidade?

Janaina Bernardino: É muito interessante, porque assim como a gente tem a lei dizendo que deve ser acessível, a gente não tem um órgão que fiscaliza. Quando existe essa lacuna, ela não é vista. Os prêmios acabam abrindo espaço para essas oportunidades, premiando quem faz baseado nisso. Ainda é um patamar a ser construído, mas ser a primeira designer cega jurada de um prêmio de design me deu uma alegria imensa. Como diz o Pequeno Príncipe, o essencial é invisível aos olhos. Se eu não estivesse vendo o branding premiado, a descrição do projeto teria que me contar para que ele serve. Quando falamos de forma e função, que é a origem do design, se não fosse isso, seria arte. Você cria um branding lindo, mas ele serve para quê? Para ganhar prêmio? Colocar um braile errado só para dizer que fez acessível torna o trabalho vazio. Em vários projetos, eu entrava no site do produto final e ele era zero acessível. Ou a proposta era linda, uma bolacha com letras em Libras, mas você entrava no site e não tinha atendimento em Libras. A jornada não era fluida. A iniciativa era boa, mas dava para ir além. As marcas já deveriam nascer com sua versão acessível. A gente não tem o sinal em Libras de toda marca nova que surge. Eu também não faço ideia de como são os formatos das marcas hoje, porque não chego numa loja e tenho uma marca tátil para tocar. Quando alguém me diz: “tal marca mudou”, eu não faço ideia de como ela é. Você entra no site e está escrito “Nike”. Para quem nunca viu a Nike, não faz ideia do símbolo. A gente ainda tem muita coisa para construir como jornada.

Wagner Beethoven: Eu admito que, como eu fiz o podcast com foco em acessibilidade, o site é o principal veículo do podcast. Eu arranquei da tripa e coração para fazer ele o mais acessível possível. Sei que ainda tem muita coisa a se melhorar, mas também sei dos grandes ganhos que consegui implementar ali dentro. Eu acredito que essas marcas não deixam de fazer por falta de dinheiro, é muito mais falta de vontade. Tem também um pouco de não saber. Quando a gente conversa com tomadores de decisão, a gente leva um susto, porque muitos não fazem ideia. Essa conversa está chegando aos poucos agora, pelo movimento de diversidade e inclusão e pelas exigências de ESG, esses selinhos de governança social e sustentabilidade. Isso começa a virar número, e número gera capital, acesso a investimento para a empresa. Mas ainda está distante da vivência real dessas pessoas que tomam decisões de grandes proporções. Quando a gente vê um produto criado para ser acessível, fica a pergunta: ele quer ser acessível mesmo ou quer ganhar um prêmio? O que está por trás dessa investida? A gente ainda fica com o pé atrás, porque vê muito rompimento de experiência. Mas também já reconhece que o consumidor não é mais bobo. A gente fala muito de social washing, quando a marca diz que faz uma coisa e depois você descobre que não era bem aquilo. A gente já viu isso acontecer com campanhas para outros recortes de grupos. De repente tem produto para pessoas pretas, passa novembro, acabou o produto. Ou campanhas para mulheres no Outubro Rosa, depois a marca volta a ser preto e branco. Ou aquelas bandeirinhas coloridas que duram um período e depois somem. Que campanhas são essas que trazem um produto por um tempo e depois acabam? Teve uma campanha muito legal do Burger King, em que eles criaram aquela coroinha de papel que você dobra na lanchonete. Eles criaram também uma tiarinha que você pode colocar no cabelo, pensando em pessoas com cabelo volumoso, afro, para também se sentirem reis e rainhas. Mas durou pouco tempo, acabou, foi só em duas ou três praças. Aí ganha prêmio. E no dia a dia, o que fica? A gente cria um movimento, mas ele não se perpetua. O consumidor está ficando mais atento e começa a dizer: “opa, estão só querendo ganhar like”. As redes sociais reverberam tudo, e isso é bom. As marcas começam a entender que precisam ser mais responsáveis pelo que criam e anunciam, para não virar só lacração. Isso é bom para quem estuda acessibilidade, porque a gente passa a ser mais ouvido quando diz: “olha, se o site não está acessível, a ação não está completa”. É bizarro, por exemplo, esse caso do Burger King. Eu mesmo não conhecia esse contexto da tiara. Eu não consumo muito fast food, não vou muito a shopping, mas quando você pensa que o Brasil tem pessoas negras, pessoas com cabelo afro, e limita isso, você exclui. Antes de continuar as perguntas, queria lembrar que essa conversa vai ser compartilhada em todas as plataformas de áudio. Peço para quem está ouvindo se inscrever na plataforma de sua preferência. A gente está no YouTube e no Spotify. No Spotify, faça a avaliação do podcast, isso é importante para alcançar mais pessoas. No YouTube, considere se inscrever no canal, curtir o vídeo, assinar as notificações, o famoso sininho, e deixar suas impressões nos comentários. Agora, Janaína, terminamos mais um bloco de jabá. Eu queria falar sobre educação e impacto profissional. A gente fala sobre acessibilidade, e infelizmente é um tema delicado, principalmente entre estudantes e profissionais em início de carreira. Muitos tomadores de decisão ainda sabem muito pouco sobre o tema, ou só têm contato quando alguém da família precisa. Dentro desse recorte, qual é a tua abordagem na hora de ensinar acessibilidade num contexto de design estratégico?

Janaina Bernardino: Eu amplio o leque. Não fico só na tecla da acessibilidade. Eu trago o design inclusivo. Quando a gente leva o tema para o estratégico e fala que isso é uma meta de ESG corporativo, muda a conversa. A empresa tem números: colaboradores com deficiência, produtos inovadores, entrega para a sociedade. Esses números precisam acontecer de trás para frente. Quando a gente fala de social, estamos falando de grupos não priorizados. Não são só pessoas com deficiência. São mulheres, mães, lactantes. Estamos falando de pessoas pretas, amarelas, ruivas, indígenas, estrangeiras. Estamos falando do público LGBTQIA+, de pessoas com vulnerabilidade social, baixo letramento. O Brasil é um continente. A régua da alfabetização é a sétima série. Às vezes a gente escreve textos que nem um doutorando consegue entender. Contratos, termos, produtos. Tudo isso é olhar para o ângulo da inclusão. Quando eu crio um produto, eu estou criando para todas essas pessoas. E aí eu descubro que, na prática, bem poucas delas foram consideradas. Pensando na jornada, eu posso criar uma campanha incrível para mulheres, sustentável, sem gasto de água, com governança. Mas quando chega no social, a pergunta é: que mulheres são essas? Você chega na loja física e não tem espaço para entrar com carrinho de bebê. A porta é estreita. Se estiver amamentando, piorou. Não tem uma poltrona. Cadê a usuária nesse lugar? Ela foi convidada para o processo? Se ela for uma mulher cadeirante, tem provador acessível? Se for uma pessoa surda, consegue se comunicar? Se for uma pessoa de baixo letramento, ela entende o texto? Tecidos super tecnológicos, nanotecnologia… ela quer saber se é algodão, se estica. Se o produto só vende no e-commerce, ele chega em todas as regiões? A periferia tem CEP? Quando a gente abre essa estratégia, percebe que o impacto vai muito além das pessoas com deficiência.

Wagner Beethoven: Tu trouxe um recorte bem interessante sobre a mulher. A gente tem um exemplo no mundo que é a Victoria’s Secret, que quase quebrou porque fazia roupas íntimas só para mulheres extremamente magras. A gente sabe que o recorte de mulheres com corpo de modelo é uma parcela mínima. Em termos reais, a marca teve que mudar o posicionamento, senão quebrava. Quando a gente olha para o mercado, ou muda ou não tem mais espaço para esse tipo de abordagem. Janaina Bernardino: Sim. A gente vai se aproximando mais do comportamento. O inspiracional ainda existe, claro, faz parte da essência do belo. Mas como esse belo também pode estar em perfis diferentes? A gente vê marcas criando formatos diferentes, tamanhos diferentes, peças adaptativas. Quando a gente pensa, por exemplo, em uma pessoa que precisou retirar a mama, dá para criar um sutiã adaptativo, com alça diferente, com conforto, dentro da mesma coleção bonita. Eu não quero uma peça feia. Eu quero a mesma peça linda, só que adaptada. São essas sutilezas que a gente começa a enxergar. Por muitos anos, pessoas com deficiência foram rotuladas como doentes. Você procurava no Google “pessoa com deficiência” e aparecia alguém cabisbaixo, com cara de doente. Eu não sou doente. Eu não enxergo. Eu não tenho uma doença. Eu sou saudável. Eu não me vejo nessa imagem de pessoa sentada numa sala de espera, com cara de dó. São pessoas vivas. E ainda hoje, quando você pesquisa, aparecem ilustrações infantilizadas, como se fossem criancinhas, quase mimando uma pessoa adulta. A gente ainda tem muita coisa para avançar e tirar esses rótulos de que somos pessoas doentes ou objetos de caridade. Temos desafios e barreiras, mas ajustando a forma de trabalho, a gente pode ser super produtivo, trabalhar, consumir, ir ao teatro, ao cinema. É tudo normal.

Wagner Beethoven: É muito bacana te ouvir, porque eu fico imaginando como seria mais tranquila a vida das pessoas da diversidade humana se as empresas pensassem diversidade de fato. Quando a gente fala de design universal, eu nem gosto muito desse termo, porque o universo é muito grande. Mas pensar na maioria, pensar no outro, além do que está na mesa de reunião. Quais são os conceitos que você acha que designers e estudantes precisam aprender sobre design inclusivo?

Janaina Bernardino: Conversem com pessoas diferentes. Saiam das personas de comercial de margarina. Abram espaço para novos perfis. O meu produto é para quem? Que pessoa é essa? Uma pessoa idosa, por exemplo, não gosta de ser chamada de “dona”. Já começa errado aí. Pergunte como ela gosta de ser chamada. Voltar para o humano, para a raiz do design, interação humano-máquina, ser humano. Sair da frente da tela do computador e ir ver gente. São experiências assim que furam a nossa bolha. A gente acha que todo mundo faz igual, mas não faz. Conversem com pessoas reais e diferentes.

Wagner Beethoven: Eu sempre digo isso: designers não são usuários das aplicações que estão projetando. Vocês não são o usuário. É um ponto importante. Tu é integrante do comitê da ABNT de acessibilidade digital. Quais são as principais contribuições que normas como essas trazem para a sociedade?

Janaina Bernardino: Quem lidera lá é o Reinaldo Ferraz. Ele é o líder do comitê técnico e puxou essa frente justamente porque, nos Estados Unidos e na União Europeia, as leis funcionam melhor. Lá, a lei aponta para uma normatização, e essa norma é seguida. Quando a gente olha para a área da saúde, por exemplo, a lei aponta para a Anvisa, que tem uma norma, e todo o mercado segue. A acessibilidade também tem norma, mas ela é internacional. Ela não está explicitamente na lei brasileira, e aí o jurídico diz: “essa norma não é brasileira, então não precisa seguir”. No artigo 63, não está dizendo exatamente qual norma seguir, então fica vago, e a gente encontra brecha jurídica. O comitê da ABNT vem para esse papel fundamental de organizar e documentar uma normatização para que, quando a lei for ajustada, ela aponte para essa norma. Aí sim a gente passa a ter uma aplicação jurídica correta no Brasil, sonhando em ter a mesma eficiência dos Estados Unidos, da União Europeia e de outros países. Fazer valer, doer no bolso, para ver se o pessoal se mobiliza para melhorar a vida das pessoas.

Wagner Beethoven: Esse é um assunto muito falado nas grandes corporações, e você já tinha comentado sobre isso, que é o ESG. Em 2023, você compartilhou algo muito bacana com a comunidade, que foi o Indicador de Design Inclusivo. Queria que você falasse um pouco sobre a criação desse indicador e os impactos que ele tem.

Janaina Bernardino: Ele funciona como outros indicadores, como o Dow Jones de sustentabilidade. É um grande checklist, mas com pontuação. Todo indicador financeiro é isso: um checklist com níveis de criticidade e pontuação. Eu criei esse checklist para que cada equipe pudesse pontuar conforme a necessidade do seu projeto. Depois que lancei, várias pessoas adaptaram: projeto só digital, só físico, híbrido, completo. Você usa WCAG, pontua um, dois, três ou zero. Avalia se o press kit está acessível, campanha de marketing, e-mail marketing. No final, você tem um score e sabe o quanto seu projeto está mais ou menos inclusivo. É uma atividade simples, que dá para usar no dia a dia, como ferramenta. Isso gera número, gera dashboard, gera apresentação. Fica mais tangível para o negócio, mostrando que estamos olhando para a experiência do produto e para uma parcela da população que muitas vezes nem é lembrada. Outro exemplo é o público infantil. Ele também é um público de inclusão. Se você entra em uma loja online e busca “Cinderela” ou “Branca de Neve”, pode acabar encontrando conteúdo pornográfico. Isso não deveria acontecer. A gente ainda tem muita coisa para avançar.

Wagner Beethoven: Esse ponto das buscas é algo que eu nunca tinha parado para analisar. É meio bizarro mesmo. Esses números também servem como forma de convencimento para empresas que ainda não têm o costume de pensar acessibilidade e inclusão digital. Você consegue mostrar: “olha, meu produto está pecando aqui”. Isso ajuda a convencer tomadores de decisão. E aí, Ji, agora a gente parte para um bloco sobre visão de futuro. Como é que você vê a acessibilidade digital no Brasil e no mundo nos últimos anos e quais são as expectativas que você tem para o futuro do design inclusivo? Eu acredito que a inteligência artificial veio para ajudar nos processos mais burocráticos. Fazer acessibilidade é chato, é moroso, é demorado, é cansativo. A inteligência artificial, eu acredito muito, que daqui a pouco vai ter plugin no Figma que já facilita, que já corrige, que já indica caminhos. A gente ainda vai precisar de QAs e especialistas para validar fluxos complexos, mas o grosso disso vai evoluir rápido. Diferente desses plugins que dizem que deixam o site acessível em um clique. Isso é mentira. Eles só desconfiguram o site. Não é isso. É fazer um site acessível para que a gente tenha mais tempo e energia para cuidar das outras etapas do design inclusivo, que é a jornada. Porque senão você cria um site lindão, mas o produto não está, a entrega não está. Você recebe uma caixa em casa e não tem nenhum QR Code para você saber para onde ir, como usar. Todo esse processo ainda precisa ser muito mais explorado. A gente ainda está muito focado só em deixar o site acessível. Com a atualização das normatizações brasileiras, isso tende a ser mais eficiente juridicamente. Quem não fizer, vai ter consequência. Hoje, o setor financeiro é praticamente o único penalizado, porque o Banco Central é um órgão regulador que cobra mais. Se não tivesse isso, provavelmente nada aconteceria. E isso não acontece com outros órgãos reguladores de outras indústrias. O que eu vejo como futuro é: otimização com inteligência artificial, efetivação da lei e mais tempo para imersão em design inclusivo. Abrir novas possibilidades. Banco pensa em dinheiro, mesmo sem regulador. Te acompanhando você nas redes sociais, eu admiro muito o que você compartilha. Conversando com você, fico ainda mais encantado. Como você faz para manter o brilho nos olhos e continuar inspirando as pessoas?

Janaina Bernardino: Em primeiro lugar, Deus. É a fé que não deixa a gente ficar abatida. Todo dia é um “não”. É bem surreal. Quem está na pele, quem é uma pessoa com deficiência, vive diariamente frustrações. Algo que você não conseguiu fazer, algo que te cobraram sem combinar antes. Um colaborador com autismo, por exemplo, não pode ser avaliado da mesma forma que alguém sem essa condição, principalmente em critérios de comunicação. Não é fazendo curso ou treinamento que isso muda. É uma característica cognitiva. Como trazer equidade? Todo dia você ouve: “mas você devia fazer assim”. E você pensa: “mas eu não sou essa pessoa”. A gente respira, chora um pouco, respira de novo. Eu mesma estou passando por uma reavaliação de vida, do que eu digo “não” e do que eu digo “sim”. Falar com pessoas engajadas, que levam inspiração de verdade, ajuda muito. Porque a gente também se exaure emocionalmente de tanto falar e repetir. A gente não quer virar token, ser chamada só na semana da diversidade, fazer palestra, tirar foto e ir embora sem mudança real. Em quatro anos sem enxergar, Deus tem sido meu refúgio. E eu não desisti, porque a fé de que mudanças vão acontecer é maior. Minha família, meu filho, meu esposo, estão comigo. Estou fazendo reabilitação no Dorina Nowill. Existem fundações incríveis, muitas vezes com poucos recursos, que ajudam a restabelecer autonomia e emocional. Para poder dizer ao mundo: eu quero trabalhar, quero consumir, eu consigo, só preciso de uma ajudinha.

Wagner Beethoven: Janaína, que conselho você daria para profissionais que estão começando hoje? A gente está falando de MBA, de profissionais já formados, mas se eu pegar alguém bem no início do design, que conselho você daria?

Janaina Bernardino: Uma coisa muito legal que eu tive foi um gestor chamado Alex Guazzelli, ele foi meu superintendente de design no Itaú. Ele sempre olhava para a gente e falava: “testa no Android ruim”. “Como é que a pessoa lá de Piraporinha do Sul vai usar esse aplicativo?”. Aquilo me marcou muito. Um dia ele apareceu com uns Androids bem antigos, acho que até comprou do bolso dele. Depois fizemos uma pesquisa para um aplicativo light do Itaú para entender o uso de tecnologia nas famílias. Observamos que o filho fica com o celular mais novo, a mãe com um intermediário e a avó, que muitas vezes tem 40 e poucos anos, fica com o pior celular. E quem paga as contas da casa? A avó. Ela nunca ia deletar o Facebook para instalar um aplicativo de banco. Era esse Android ruim que o aplicativo todo lindão precisava rodar. Quem é esse usuário do outro lado da telinha? Às vezes a gente cria layout no iPhone 18, com tela retina, luz perfeita, e descobre que lá na ponta a pessoa só queria aumentar a fonte, porque o óculos já não dá conta. Quem já aumentou a fonte do WhatsApp para pai ou mãe sabe que é só isso que eles querem. Fonte grande. Às vezes a gente esquece desse cuidado básico na hora de projetar. Ter mais humanidade, mais sensibilidade. Fazer teste de usabilidade, sair para a rua, fazer guerrilha, conversar com o porteiro. Não esquecer dessa etapa num mundo tão ágil e tão cheio de personas prontas. Voltar para as origens. Conversar com pessoas.

Wagner Beethoven: E aproveitando, você pode compartilhar algumas indicações? Livros, profissionais, podcasts, referências para quem está ouvindo.

Janaina Bernardino: Sobre acessibilidade, tem vários autores. O Marcelo Sales, que já esteve aqui com vocês. O livro do Reinaldo Ferraz, e muitos conteúdos gratuitos na internet. De design em específico, eu gosto muito do Bruno Munari, designer italiano. O livro dele se chama “Das coisas nascem coisas”. É para voltar para a origem: por que fazemos o que fazemos? Quem é o usuário? Como é o comportamento das pessoas? Tem o Bauman, “Sociedade Líquida”, para entender como as pessoas não são padrões. E o “Mundo Codificado”, do Vilém Flusser, para entender os códigos por trás do marketing. Para comportamento humano, tem material para todo gosto.

Wagner Beethoven: Eu faço uma pergunta que só faço para pessoas com deficiência aqui no podcast.

Wagner Beethoven: Como você imagina a acessibilidade daqui a 5, 10 anos?

Janaina Bernardino: Eu vejo ela mais presente nos cursos e faculdades, por conta da normatização da lei. Quando a norma entra, entra disciplina. Foi assim na arquitetura. A população também está envelhecendo. A pirâmide começa a virar em 2030. Vamos projetar para nós mesmos no futuro. Acho que tem potencial, mas estamos num ritmo mais lento. A virada de chave vai ser uma lei mais rígida, com regra clara.

Wagner Beethoven: Para encerrar, onde as pessoas podem te encontrar?

Janaina Bernardino: Sou mais ativa no LinkedIn, que é uma plataforma mais acessível. No Instagram, posto mais coisas do dia a dia. Estou sempre à disposição para conversar, trocar ideia, só não vale chamar só na semana da inclusão.

Wagner Beethoven: Você gostaria de compartilhar algo que não foi perguntado?

Janaina Bernardino: O que mais me alegra nesses tempos de internet é a liberdade. Que a gente não perca essa liberdade de dar palco para quem não tinha. A internet veio para isso. Para trazer luz, compartilhar, conversar.

Wagner Beethoven: Janaína, muito obrigado pela disponibilidade. No site focoacessivel.com.br vão estar todos os links citados, a transcrição completa e um espaço para inscrição por e-mail. Muito obrigado a quem ouviu até aqui. Lembre-se: acessibilidade é um assunto que cedo ou tarde vai impactar a sua vida. Obrigado. Tchau, tchau.

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