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Foco Acessível Do lado esquerdo, dois círculos — um maior (tracejado, sem preenchimento) e um menor (preenchido). Ao lado, o texto “Foco Acessível”, apresentado na cor verde escuro.
Episódio #7 / 38:19
Homem careca, sorrir, de pele clara, vestindo uma camiseta preta. Ele está posicionado ao ar livre, cercado por plantas tropicais.

Acessibilidade Sem Fronteiras: Inovação e Inclusão no Design Digital

Marcelo Paiva • Criador do WCAG Plugin para Figma

Neste episódio, conversamos sobre como a acessibilidade digital pode ser integrada desde o início dos projetos, explorando práticas inovadoras, desafios e oportunidades, além de abordarmos a aplicação das diretrizes WCAG, o uso de inteligência artificial para melhorar processos, e a importância de envolver pessoas com deficiência no design.

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Bem-vindos ao sétimo episódio do Foco Acessível! Neste episódio especial, gravado em um ambiente histórico em Olinda, recebemos Marcelo Paiva, especialista em design inclusivo e acessibilidade digital, com uma carreira internacional de mais de 30 anos. Marcelo compartilha suas experiências transformadoras no desenvolvimento de tecnologias acessíveis, a integração da acessibilidade em grandes projetos e os desafios enfrentados na aplicação das diretrizes WCAG.

Falamos sobre como a acessibilidade não é apenas uma obrigação, mas uma oportunidade de inovação, destacando práticas como a colaboração entre designers e desenvolvedores e o uso de ferramentas que promovem a inclusão. Além disso, Marcelo nos leva a refletir sobre o futuro do design, as novas possibilidades de interação e a importância de incluir as pessoas com deficiência desde o início dos processos de criação.

Junte-se a nós nesta conversa inspiradora e informativa sobre o futuro da tecnologia acessível! E não se esqueça de acessar os links e à transcrição desta conversa e nos seguir nas redes sociais: LinkedInInstagramTikTokBluesky E se você tiver alguma sugestão ou feedback, adoraríamos ouvir de você - participe e contribua para tornar o mundo um lugar mais acessível e inclusivo para todos.

Índice do episódio

  • 00:00:02 - Introdução
  • 00:00:18 - Apresentação de Marcelo Paiva
  • 00:00:57 - Áudio-descrição - Wagner
  • 00:01:23 - Áudio-descrição – Marcelo
  • 00:01:40 - Pergunta 1
  • 00:03:18 - Pergunta 2
  • 00:05:20 - Pergunta 3
  • 00:08:14 - Pergunta 4
  • 00:12:50 - Pergunta 5
  • 00:14:45 - Pergunta 6
  • 00:16:21 - Pergunta 7
  • 00:20:31 - Pergunta 8
  • 00:23:40 - Pergunta 9
  • 00:26:05 - Pergunta 10
  • 00:28:13 - Pergunta 11
  • 00:32:22 - Pergunta 12
  • 00:35:27 - Pergunta 13
  • 00:36:44 - Mensagem final

Biografia do especialista

Marcelo Paiva é uma referência em Experiência do Usuário (UX) e Acessibilidade Digital, com uma carreira de 30 anos nos Estados Unidos, criando experiências inclusivas para empresas da Fortune 500 e o Departamento de Educação dos EUA. Ele é reconhecido por integrar a acessibilidade desde o início dos projetos, desenvolvendo inovações como uma ferramenta para criação de protótipos acessíveis e o plugin WCAG para Figma. Marcelo é um palestrante internacional e defensor de que a acessibilidade não é um opcional, mas um direito essencial, inspirando profissionais ao redor do mundo a priorizarem a inclusão no design digital.

Edição do episódio: Booa, Paulo! Design & Multimídia

Wagner Beethoven: Boas-vindas. Estamos começando mais um episódio do Foco Acessível, podcast sobre acessibilidade, diversidade e inclusão. E a gente traz aqui especialistas em acessibilidade pra falar com a gente e desenvolver tecnologia através do tema. Hoje a gente tá num cenário especial. A gente tá aqui falando do Beijupirá, Beijupirá, exatamente, um restaurante aqui em Olinda, e eu tô com presença internacional.

Marcelo Paiva é referência em experiência do usuário e acessibilidade digital. Tem uma carreira de 30 anos nos Estados Unidos, criando experiência inclusiva pra empresas da Software Five e Departamento de Educação norte-americana. Ele é reconhecido por integrar acessibilidade desde o início do projeto, desenvolvendo inovação como uma ferramenta pra criação. Tópicos acessíveis é o plugin da WCAG pro Figma.

Marcelo, palestrante internacional e defensor de que a acessibilidade não é uma opção, mas um direito essencial, inspirando profissionais ao redor do mundo e priorizando a inclusão no design digital. Eu sou o Wagner e eu sou um homem gordo. Estou aqui com uma camisa preta com estampa e sentado, eu no fundão, que é uma parede cheia de pedra, e ao meu lado está o especialista.

Que bem-vindo, Marcelo!

Marcelo Paiva: Obrigado. Eu não tenho cabelo, mas eu tô sempre sorrindo.

Wagner Beethoven: E aí, Marcelo? Eu queria pedir pra você descrever pra nossa audiência que não consegue enxergar.

Marcelo Paiva: Eu tô vestindo uma camisa preta, tô sentado numa adega onde o fundo parece as pedras históricas daqui de Olinda. Um lugar maravilhoso, lindo, com uma vista maravilhosa.

É só isso.

Wagner Beethoven: Então a gente vai começar aqui o rol de perguntas e, Marcelo, ao longo da sua carreira como designer, você desenvolveu uma paixão pela acessibilidade, que levou a focar nesse tema. E como isso mudou a sua trajetória profissional?

Marcelo Paiva: Exato. O que me levou a focar em acessibilidade foi meu trabalho com a comunidade de design no sul da Flórida, onde a gente fez uma série sobre acessibilidade digital. E a gente começou a ver muito, nos participantes da comunidade, membros da comunidade com deficiência querendo aprender mais sobre UX.

Aí o primeiro deles foi o Mike Maguire. Ele nasceu surdo e ele pediu: “Olha, tem como colocar o Skype no vídeo, ou no Zoom?”. É claro. Aí: “Gente, tem como colocar sinais de Libras?”. E a gente contratou um intérprete de sinais, de Libras americano. E aí começou. A gente foi notando que existe essa necessidade. Foi mais ou menos isso que me fez pensar nessa paixão que eu vejo.

O interessante disso é que quando você começa a prestar atenção, ainda mais você que tá desenvolvendo soluções digitais, você não olha mais pra como você fazia. Você só quer aprender mais, ir pra frente e continuar incluindo. Eu acho que essa é minha paixão pela inclusão. É mais uma responsabilidade do que uma paixão, bacana.

Wagner Beethoven: E aí, no seu perfil do LinkedIn, você destaca essa integração… WCAG no seu… o que falou de design. Quais foram os maiores desafios que você enfrentou pra incorporar essas diretrizes, especialmente em projetos de grande escala, que a gente vê que a gente tem muitos profissionais… os profissionais nem sempre tão no hall de acessibilidade. E como é que você encara esse desafio? Como é que foi?

Marcelo Paiva: Na verdade, não foi um desafio, foi uma oportunidade. Porque a acessibilidade é sempre um ponto pra checar, como se fosse um teste de qualidade, no final do processo de desenvolvimento. E a gente notou que quando chegava no final e a gente falava “vamos ver se isso é acessível?”, é claro que não era.

E eu, como líder do time, a gente tem que… se a gente tem que aprimorar o nosso processo de design pra começar a aplicar essas boas práticas de acessibilidade antes.

Aí a gente começou a fazer anotações. Aí a gente começou a fazer pesquisa de usuário com pessoas com deficiência. Aí a gente começou a evangelizar o time pra escrever os requerimentos… requisitos aqui, né? Então aí é isso que foi. Aí que até a gente tem um termo, no inglês, que é shift left.

Então vamos ver a acessibilidade pra esquerda, que tá sempre com a direita, no final do processo. Vamos virar pra esquerda e vamos começar a trazer pro início.

E hoje onde chegou foi o projeto que eu fiz com um Departamento de Educação nos Estados Unidos. Eles me escolheram por causa disso e incluía pessoas com deficiência no primeiro dia.

Então, antes da gente começar a criar um layout, uma interface, a gente já tinha testado toda a solução em pessoas com deficiência. Bacana.

Wagner Beethoven: E aí essa oportunidade que você viu pra criar o plugin do Figma, pra evangelizar esse pessoal… como é que foi o impacto e feedback que você teve depois da criação desse plugue?

Marcelo Paiva: Isso foi interessante porque eu vi isso, mais uma vez, como oportunidade. A gente pensa que todo o padrão de acessibilidade que é apresentado pelo WCAG ajuda a gente a ver isso como um padrão, um regulamento. Mas pros designers isso tem que ser um desafio de design. Então como pegar isso e expandir?

E foi exatamente o que eu fiz. Eu criei esse plugin no Figma pra trazer esses padrões no próprio design. Ao invés de “ah, olha a altura mínima de qualquer tipo”, então tem que ser de 44 pixels… que existe um padrão pra isso… o lugar do…

Então, em vez de ir no WCAG buscar qual… facilitou. Trazer logo onde você faz a busca e já joga o cartão pro design e já tá lá. Você não precisa sair. E é muito, muito extenso, e muito conteúdo. Então, da maneira que eu fiz, foi algo bem simples, que você pode… e você acaba evangelizando pras pessoas envolvidas: os programadores, testadores e hoje os demais.

Associado com uma coisa que é interessante, adicionalmente: o que eu fiz também foi criar cada card lá nesse sentido, tendo… toda semana, todo dia, a gente se encontra como time e a gente fala. E no final da reunião eu tirava cinco minutos pra explicar um padrão, cada dia. E eu fazia umas apresentações muito dramáticas.

Acontece o que a gente chama de… uma fala do próprio usuário com deficiência reclamando de você não ter criado algo acessível. Então sempre começava com isso, com esse drama: “Poxa, vocês me esqueceram? Eu sou… eu tenho dislexia e essa fonte tá muito junta, tem muito conteúdo aqui.”

Criei esse drama aí, depois a gente mostra o padrão, tapa na cara das pessoas, dessa turma se balançar um pouquinho. E funciona. Funciona bacana porque traz essa realidade no mundo real.

E se você acha que pessoas com deficiência são muito distantes da norma… não tá dando. A deficiência tá sempre dentro da gente.

Wagner Beethoven: Exato. E aí, no seu trabalho com acessibilidade digital, você também tem colaborado com iniciativas globais. Como é que você enxerga a diferença de diretrizes internacionais, como a de nos Estados Unidos e Europa? A SK 127 e a WCAG?

Marcelo Paiva: A gente acredita que há um caminho maior pra uma padronização, pra não ter tanto essa quebra na lei brasileira, lei norte-americana e europeia, é juntar. Acho que o lado bom disso tudo é que todos eles convergem pro Web Content… que você sabe ler, chegar lá: WCAG.

E aí só diferencia na versão. Hoje a versão que nós temos é a 2.2, mas a maioria das leis, dos regulamentos, das leis internacionais de acessibilidade, elas apontam pra versão 2.1. A 2.2 veio trazer mais essa preocupação com pessoas com deficiências e desafios neurológicos. Então isso tudo avançando.

E não só isso: quando você aplica boas práticas pra uma versão só pra ficar conforme a lei, você tem que lembrar também que você tem que manter aquilo. Porque daqui a dois, três anos, um ciclo — geralmente de quatro em quatro anos — eles vão pra próxima versão e vai deixando o negócio mais complexo pra se manter, né?

Com relação ao nível internacional, trazendo a boa prática de seguir a última versão do WCAG, você vai estar sempre na frente. Você não vai ter que ficar se preocupando: “Poxa, será que eu atendia esse requerimento?”

E a Europa agora tá lançando, acho, a data final pra todas as companhias criarem conteúdos acessíveis em junho de 2025. Então isso vai criar uma comoção, vai aumentar o volume.

Nos Estados Unidos, passou agora em abril, 28 de abril, a mesma lei. Mas tem dois anos aí pra todos os estados nos Estados Unidos cumprirem a lei de acessibilidade, que é diferente da Section 508 do… é diferente porque a Section 508 é só pro setor federal, pra atender aos empregados com deficiência.

Essa nova vai ser definida daqui a dois anos pra todos os americanos.

O bacana que esses países grandes têm é que essas leis de países menores acabam copiando. Aqui no Brasil, a gente tem uma iniciativa, através de Rinaldo Ferraz, que é pra criar uma… na ABNT… uma regra de acessibilidade digital. E aí, com essa lei, a gente consegue até multar empresas que não conseguem, porque hoje ainda é muito grande… não se sabe o que é que precisa pra atingir esse nível de acessibilidade.

Mas tem as regras no jogo, a gente consegue multar essas empresas que não são acessíveis. Eu acho que a multa é uma questão… a questão meio que limite. Acho que requer bastante educação pras pessoas começarem a aplicar. E isso é uma responsabilidade.

Não é uma lei, mas aí, nesse caso da aplicabilidade também, a gente tem que mudar parte… das faculdades… discurso… mudança que eu tô vendo um bocado é curso universitário e cursos livres terem essa mudança de mentalidade, né?

Mas isso é interessante: aqui no Brasil você tá fazendo um papel muito importante, que é divulgar a sigla. Então pessoas como vocês é muito importante pra divulgar e pra mostrar sua responsabilidade pros designers, pros programadores.

Aqui você não precisa de ter um requerimento pra fazer algo assim. Isso já tá no seu DNA. Fazer um design acessível já tá no seu DNA. Programador… mas esse é o objetivo do podcast: você trazer especialistas pra desmistificar. Não é nenhum bicho de outro mundo mesmo. A gente consegue fazer isso.

Wagner Beethoven: E aí, no seu mercado, você mostrou uma carreira sólida sobre acessibilidade. Você apresenta muito material? Que dicas você daria pra designers que gostam de construir e querem construir nessa rede de contatos focados pra promover essa causa? Como é que a gente consegue ter acesso a pessoas de fora do país até aqui, no seu caso de lá, e as pessoas aqui, pra ter essa rede mais sólida?

Marcelo Paiva: Isso é meta. Mas o assunto vai depender da barreira da língua, de toda essa rede de contatos que eu tenho em inglês. Mas acho que o LinkedIn traduz tudo direitinho, então é só me seguir.

Uma das coisas… tem um canal de comunidade em acessibilidade que eu sigo no Slack. Tem uma comunidade só de acessibilidade. A gente pode colocar o link, se isso… e eu coloco o link do convite aí, e depois vai andando… daqui a pouco o negócio tá todo em português. Legal.

E aí essa chamada surge de navegadores… ajudam muito. Eles quebram muitas barreiras. Eu já li muito material em italiano e alemão com a ajuda do Google Tradutor. Então a turma pode usar pra desmistificar esse tipo de coisa.

Um inglês como segunda língua… então não seja alguém como… quando eu cheguei nos Estados Unidos, eu não falava inglês. Ou uma pessoa que tem uma língua nativa do espanhol lá… isso também é uma deficiência, é considerado como uma deficiência, e a gente tem que criar essa solução pra acessar o conteúdo.

Você fala francês, mas se você for à França, você vai ficar deficiente. Então é basicamente isso. A gente sente na pele o que uma pessoa surda… quando fala Libras… ou o idioma norte-americano tenta falar com a gente. A gente não sabe, fica à deriva.

Wagner Beethoven: E aí a gente vai partir pra parte técnica. Nessa pergunta, especificamente, você fez algumas apresentações e aí você fala muito sobre tokens de design pra promover acessibilidade. Pode me explicar como é que esse token de acessibilidade funciona e como ele pode ser integrado no sistema de design? E aqui no Brasil já… nesse sistema de design.

Marcelo Paiva: Então, design systems… você precisa abstrair todas as decisões de design o máximo que você puder. Então é aí onde entram os tokens. Os tokens, eles criam, eles fazem… como é que fala… agrupam todos os valores de cores, de tipografia, de espaço, de ícones.

E isso tá abstraído do código e do design. Você abstrai essas decisões de design num ambiente separado, independente. Você consegue usar suas decisões de design num arquivo do Figma, como também numa biblioteca de componentes que é usada ou pra telefone ou pra web.

Então, se você precisar aumentar o espaço de um parágrafo, você pode aumentar aqui e automaticamente vai impactar todo o seu design, toda a sua biblioteca de componentes. É por isso que a gente fala em abstrair o máximo que você puder, principalmente esses tokens, porque aí fica mais fácil de você manusear, de gerenciar.

Wagner Beethoven: No processo de design, quais são as barreiras mais comuns pra atingir altos padrões de acessibilidade? Como é… WCAG… você poderia recomendar alguma coisa? Como superar? Porque a gente fala do “A”, que seria o desejável; o “AAA” seria a excelência da acessibilidade.

Marcelo Paiva: Ótima pergunta. Nas palestras que eu dou… bom, acho que não vamos assumir que todas as pessoas sabem o que é, tá? Então, nesse padrão de acessibilidade que é apresentado pelo consórcio da World Wide Web, eles têm três níveis de conformidade: A, AA e AAA.

O A é o mínimo possível pra alguém começar a entender e você começar a incluir um grupo grande de usuários. O AA é o mais abrangente, é o que todos os governos tentam adotar. E aí é onde entra o AAA, que é você ter a certeza de que todos os seus vídeos têm sinais… Libras, tem captcha… tem transcrição do vídeo e do áudio, tem descrição de áudio no vídeo, como foi nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, eles fizeram um trabalho formidável.

E requer um orçamento muito maior, requer um tempo maior pra você incluir todo mundo, possivelmente. Então, o que eu recomendo é você sempre ter o AAA como o seu alvo. Esquece AA. Você, como designer, tenta seguir o AAA. Porque o que acontece é: quando você é só o AA, você nem tenta aprender o AAA.

Então… priorizar quem tá… por exemplo, a gente falou do tamanho do botão 44… sim, certo. Mas eu sempre… no meu design eu sempre mudo pra 48, que já é um múltiplo de 8. Não tem múltiplo 44, não. Então eu já sempre aumento.

Quando você começa a criar essas práticas, você tá atendendo o AAA. E a gente diz que o AAA, quando a gente fala, é mais custoso pra desenvolver. Porém, não é porque você não consegue atingir o AAA que você vai deixar de fazer as coisas. Aí planeja mais um pouquinho, vai entregando uma coisa incremental, né?

Portanto, essa manutenção da evolução do produto… exato. E é o desafio pro designer você tentar: “Caramba, como é que eu vou fazer um AAA?” Aí nesse problema que eu tenho você inova e você cria outros…

Aí a gente tá entrando num momento que tudo tem que ser muito rápido. Então você pega muita coisa pronta… que as coisas que estão como estão, de fato, são aderentes ao seu público, aderentes à acessibilidade?

Já pararam pra pegar um app ou até biblioteca ali, com coisa pronta no Figma, pra fazer esse tipo de teste? Ou seja, a biblioteca foi feita um ano atrás. Será que hoje ela tá ainda com essas coisas novas?

Esse desafio que a gente tem que fazer… eu vou além: porque tudo o que eu faço eu jogo… tem um GPT, um ChatGPT que já é especialista em acessibilidade. Então tudo o que eu faço eu jogo nele. “O que que eu preciso fazer pra isso ficar AAA?” Ele vai criar uma listinha pra você fazer. Você analisa o que que você pode melhorar e utilizar inteligência artificial a favor da gente, não inimiga.

Wagner Beethoven: E aí você também destaca uma abordagem colaborativa pra criação e aprimoramento de ferramentas de acessibilidade. Quais são os principais desafios que você enfrenta ao envolver comunidade de design e desenvolvedores nessa missão?

Marcelo Paiva: Qual o desafio… a gente sabe que os desenvolvedores têm treinamentos diferentes, a mentalidade é diferente. Aí que a gente aborda isso durante todo o processo de design e desenvolvimento. A gente sempre colabora juntos, designers e desenvolvedores juntos. Uma revisão sobre o design que a gente tá tentando implementar e a gente faz um envio de acessibilidade.

Então tudo isso… quanto mais você emparelhar com o seu programador, fazer essa colaboração, é importante. E tenta fazer tudo sozinho… depois você já cria outros problemas.

Então isso até mesmo… como você, como líder, você tá otimizando o treinamento que você tá tendo. Todo mundo de uma vez só, não tá treinando de forma diferente.

Uma coisa muito importante é que os designers aprendam como a acessibilidade é implementada. Porque tem muita coisa… eu vou te dar um grande exemplo: muitos poucos websites têm regiões… o que a gente chama de landmarks.

Tem a região do topo, que é a que chama o banner. Dentro do banner geralmente tem uma navegação ou tem uma busca. Então essas regiões servem como atalhos pra leitores de tela. E coloca… tem uma listinha que você pode ir pro conteúdo principal, você pode ir pra região de busca… então você vai direto lá.

Só que se você souber como implementar isso, quando você fizer o seu layout, você já inclui… você já inclui a maneira de fazer os skip links pra você pular pra essas regiões, como componente do seu design.

Você pega o primeiro parágrafo sucinto e você adiciona como um suporte pro seu… pro seu título de cada seção. Tem várias coisas que o designer, aprendendo como é feito, você pode criar outros padrões de acessibilidade e boas práticas.

Lembrando que a gente não tá criando essa guerra de “designer tem que programar”. Isso aqui é o nome de como você sabe o seu trabalho.

Olha só: hoje até mesmo o programador não tá mais programando. Ele joga no lado de inteligência artificial, faz e só checa. Acho que é uma boa oportunidade também de ter sempre essa colaboração.

Wagner Beethoven: Bacana. E aí nesse meio a gente fala sobre o envolvimento de pessoas com deficiência dentro do design desde o início. Que conselho você daria pra equipes que ainda não têm esse processo de envolver pessoas com deficiência no início? Qual ajuda que você consegue colaborar?

Marcelo Paiva: Isso é um ponto meio sensível, porque vai contra o objetivo comercial de cada empresa. Se a empresa não tem esse orçamento e ia criar uma solução inclusiva, então cria um desprendimento muito maior de quem quer elevar a inclusão da solução.

Então essa disposição de querer incluir uma pessoa com deficiência pode começar de maneira informal. No meu caso, na minha rede de contatos, eu já trabalhei e já tenho muito contato com pessoas com deficiência.

Mas você não precisa… a própria comunidade, você deve conhecer alguém que é cego. Aí você pode falar: “Como é que você acessa a Amazon?” Pode fazer essa pergunta. Seria esse contato. E aí: “Você me explica se isso aqui é acessível?” Você começa informalmente.

Posso dizer uma coisa de boa prática: se você conseguir fazer toda a sua solução de design ser navegada com teclado, já é um passo gigante.

Um outro ponto também… nada impede. A gente tem uma associação de pessoas cegas, surdas… acho que… e aí o pessoal vai, se você quiser.

E eu tenho comentários sobre isso porque teve uma fase lá nos Estados Unidos que as pessoas começaram a pedir pra pessoas com deficiência testarem produtos sem pagar. E a gente parou com isso rápido, drasticamente. Começamos a falar nas redes sociais pra não fazer isso.

São pessoas que tão ali com a mesma necessidade que nós tínhamos de ser remunerados. E elas têm que ser bem remuneradas. Não é porque ela tem deficiência que ela vai ser remunerada de forma inferior.

Wagner Beethoven: E aí a gente fala também sobre… voltando: você já falou sobre o seu plugin, né, que tá batendo nessa tecla porque é uma coisa muito sólida e deixa muito próxima da abordagem do design. É nisso que a palavra vai passar com todo mundo que tem acesso ao arquivo. E a iniciativa é muito promissora também. Qual tem sido o feedback dos usuários até agora? E o que você espera? Como é que você espera alcançar a evolução desse clube? Qual é a próxima etapa dele?

A minha intenção… ele tá bem estável. Eles têm recebido comentários de que o uso do plugin tá aumentando semanalmente. Ou seja, as pessoas tão usando. E o plugin é tão simples que quando eu fui buscar ver se tinha algum tipo de login, por exemplo, eu fiquei surpreso que não tinha. Aí dá pra fazer isso muito rápido.

Acho que o maior trabalho foi criar uma base de dados com toda… com todas as informações. Então esse foi o maior trabalho: a gente criar isso.

E isso é uma das ideias propostas também que eu fiz pro W3C: criar todo o conteúdo de forma de uma API, que a gente possa criar outros aplicativos e usar o conteúdo.

Tentar copiar e colar pra fazer um aplicativo não existir… a versão três… deve estar chegando aí nos próximos 12 a 24 meses. Aí já tão trabalhando nisso. E a ideia é continuar atualizando aqui.

E além disso, queria fazer muito… no ano… sei que tem uma necessidade específica de você selecionar um iframe no final e pedir pro… pro grupo ver se é acessível. Posso fazer aqui e já coloca todos os cartões referentes a esse design que o designer pode fazer… aplicar inteligência artificial… acho que seria interessante.

Wagner Beethoven: E aí você fala muito da acessibilidade e a gente sabe que a acessibilidade é um ponto importante pra inovação, principalmente no campo do design. Existe alguma resistência por parte das empresas e profissionais pra adotar práticas acessíveis? E você acha que acessibilidade pode ser um nome tão importante quanto a inteligência artificial no mercado?

Marcelo Paiva: É uma pergunta boa. Como eu falei da União Europeia, da Lei de Acessibilidade da União Europeia, que a data final é em junho e todo mundo tem que seguir a lei. Isso vai acontecer nos Estados Unidos daqui a dois anos.

Quando isso acontecer, vai ser uma correria danada pra fazer tudo acessível. Então isso é muito importante. É um diferencial muito bom pra nós designers expandir esse conhecimento em acessibilidade, porque tá aí uma coisa que a inteligência artificial ainda não pode fazer: que é interagir com a pessoa com deficiência pra testar uma solução. Existe a inteligência artificial: ela conhece os padrões de design que são acessíveis, mas sem testá-la… pelo menos ainda não.

Então acho isso… acessibilidade é um passo que a gente tem que tomar na comunidade de design, como também com inteligência artificial. A gente não pode ficar da maneira que a gente vê, que o mundo tá mudando com isso, e a gente tem que mudar isso.

O legal disso é que tem essa preocupação muito grande. Aí hoje eu posso falar um pouquinho além da acessibilidade, além da inteligência artificial. Vai ser como é que a gente vai, com design, começar a pensar em ter ações de design além dos braços e tal. Seria muito importante.

É muito importante a gente começar a imaginar o futuro de UX aqui. Não vai ser só você usar o mouse pra interagir com a interface. Você vai interagir diretamente no seu cérebro. Tá aí o link do… do Danilo Mask… que tá criando…

É um órgão… pro órgão que tá entre a interface, o computador e o nosso cérebro. Então a nossa vista nos ajuda a criar um comando até mais rápido que o braço. Mas você tem que processar. Aí nesse processamento, você comanda o braço pra mover o mouse e interagir.

Agora, se você é uma pessoa com deficiência visual e você tem um computador no chip ligado ao seu cérebro que tá criando as imagens diretamente no cérebro, sem precisar da sua visão, e o cérebro rapidamente já tá indicando “mova pra esquerda” sem o braço, o tempo de interatividade é muito menor do que a gente tem hoje.

Então essa solução de design maximiza… pra gente solucionar, porque agora a gente tá comandando as coisas com gestos de face. Se eu pisco, se eu… eu faço esse gesto, e se eu faço esse gesto… então vai continuar aparecendo novos gestos, e a inteligência artificial vai criar esses gestos.

A gente tem que interagir com o humano pra testar esses gestos. É importante, na verdade. E teve uma pessoa que conversou com a gente no último episódio… ela fala muito dos designers saírem da mesa pra testar com pessoas com deficiência. Sair de trás da mesa e ir pro lado do usuário, pra conversar com esse usuário, entender.

E talvez, talvez não: com certeza a gente só consegue essas inovações se a gente sair dos padrões. Vamos ver com essas pessoas.

Wagner Beethoven: Marcelo, quais são as dicas que você dá pra convencer líderes e tomadores de decisão a investir tempo, recurso e acessibilidade, especialmente aqueles que acham que acessibilidade é um esforço adicional?

Acho que é mais um esforço vindo de baixo do que de cima. Depende muito da consciência de liderança. Então são dois cenários: se você tem um líder que já tem uma noção do que é inclusão, isso fica mais fácil.

Se você trabalha numa organização que não tem inclusão e diversidade, aí depende de você mesmo levantar e começar a levantar a bandeira, começar a mudar o seu processo de design, fazer perguntas.

Eu mesmo… eu tô disponível no LinkedIn duas vezes na semana. Tenho duas horas e meia que eu dedico à comunidade. Se você quiser: “Marcelo, me ajuda com esse design aqui. Vê onde que eu posso melhorar na acessibilidade.” Eu me dedico.

Então é bom você criar esses recursos de forma independente, pra você ter essa responsabilidade, pra você criar esse DNA de coesão em si mesmo.

Uma vez que você começa a exemplificar isso pros membros do seu time, o seu líder vai começar a ver. Então é aí onde a gente começa a educar de baixo pra cima. E quando vem de cima pra baixo, é uma coisa bem medida também.

“Olha, nós recebemos um processo porque o nosso aplicativo não é acessível. A gente tem que resolver esse problema urgente.” Aí cria um negócio meio dramático. Então vai acontecer: ou é pela dor ou é pelo amor, certo?

E aí a gente enfrenta o problema que as pessoas começam a encarar a acessibilidade como… e aí de baixo pra cima meio que muda essa visão de responsabilidade. Eu acho que não é um eixo, faz parte.

E quando vem de cima pra baixo… “oh, o chefe tá mandando eu fazer”, então vou fazer porque, caramba. Mas é muito importante também você criando essa capacidade própria de acessibilidade.

Isso vai te dar outras oportunidades: de mudar pra uma companhia aqui, que dá um valor maior pra inclusão e acessibilidade. Então você crescendo como indivíduo, isso te dá outras oportunidades. De repente a companhia que você tá… se você vê que eles não tão nem aí… continua a desenvolver ali. A oportunidade vai aparecendo, momentos.

Wagner Beethoven: E aí, olhando pra frente, quais inovações você gostaria de ver no campo da acessibilidade digital nos próximos anos? Como é que você encara o futuro do desenvolvimento de produtos acessíveis?

Marcelo Paiva: Eu queria ver mais abrangência na área neurológica. Porque a gente vê muita gente com deficiência invisível, quer seja depressão, ou até mesmo fibromialgia, que é a dor no corpo, enxaqueca, esse tipo de deficiência.

Ela é… de fato. A produtividade de um emprego, de uma pessoa qualquer… imagina uma pessoa que tá atravessando um divórcio… aí chega um advogado com contratos de divórcio que é difícil de ler. Uma pessoa dessa não vai conseguir ler o contrato de separação de forma acessível.

Então a gente, como design, como criador de conteúdo, a gente tem que explorar mais isso. Eu queria ver mais essa abrangência. Bacana.

Wagner Beethoven: E a gente tá chegando ao fim de mais um episódio. Eu deixo o espaço aberto pra você falar pra nossa audiência alguma coisa que não foi perguntado, ou qualquer mensagem que você queira compartilhar.

Marcelo Paiva: Eu quero deixar disponível. Eu tenho uma… uma despretensão muito grande em querer sempre compartilhar o que eu sei. Tudo o que eu publico no LinkedIn, ou até mesmo na maneira que a gente se conheceu, é de forma bem… bem evangélica.

Marcelo Paiva: A gente tá sempre querendo compartilhar o que a gente acha que é bom. Então fiquem à vontade de me conectar o ano inteiro ou mandar uma mensagem. Vou assistir o seu podcast, adorarei entrar em contato. Vamos, vamos, vamos falar. Semana que vem eu dedico meia horinha pra gente criar esse contato.

Gostaria que deixasse a mensagem. Bacana. Então a gente fica aqui finalizando mais um episódio do Foco Acessível. Todos os links que foram conversados aqui… a descrição da conversa vai estar no episódio. Quem tá assistindo pelo YouTube, por favor, dê o like, curta, compartilhe. E a gente tá nas principais plataformas de streaming de áudio.

Então eu fico por aqui. E lembre-se: acessibilidade, cedo ou tarde, vai impactar sua vida.

Eu queria te agradecer por essa oportunidade incrível, por esse lugar muito legal. É muito bom poder estar aqui em Olinda, Pernambuco, compartilhando o pouco que eu sei.

Wagner Beethoven: Bacana. Obrigado. Até mais, pessoal!

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